quinta-feira, 27 de julho de 2017

As Mulheres e a Reforma: falemos das bruxas! [Por Nancy Cardoso]


Nesses 500 anos da Reforma Protestante temos insistido em fazer uma releitura inclusiva para que as narrativas não sejam todas no masculino plural.

Este é um esforço necessário e importante que fazemos… MAS existe um outro lugar de memória sobre as mulheres e a Reforma protestante: o lugar nada confortável das “bruxas”

NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DE GENIVAL DIAS CARVALHO

“UM CANTO NOVO” 

Fez de sua vida uma oração e nela viveu como um guerreiro abnegado e cheio de paixão, onde seu sonho foi ver este mundo e seu povo libertos das amarras da opressão.
Genival Carvalho nos deixou para morada eterna em 24/07/2017. Viveu para os pobres da periferia, onde entoava um canto novo, na esperança de ter terra, pão e paz. Seu vigor e entusiasmo pela justiça o fez para os pobres seu mais ilustre defensor.
Na Comissão dos Bairros de Belém, incansavelmente lutou por saneamento, moradia e dignidade. Sua humildade e humanidade encantavam quem o conhecia, pois seu afeto era a marca do amigo, do companheiro, do irmão, nele podíamos confiar.
Como Vereador de Belém, o povo de fato teve uma voz que bradava sem destemor por seus direitos e sequer mancomunou-se com corruptos, à custa do suor e sangue de nosso povo sofrido.
Viveu predestinado a ajudar seu povo e os ajudou com maestria. Deixa-nos o legado de sua história, que entrelaçou-se com sua inteligência de sempre aprender para partilhar com as comunidades e movimentos sociais, onde sempre foi um de seus expoentes.
Genival foi centelha do amor de Deus, sendo incondicional amigo, irmão, companheiro e esposo. Sua crença e abnegação pelo Reino de Deus foi força motriz de sua vida e era externado por seu abraço e sorriso a cada missão que lhes era confiada.
Diria que “combateu o bom combate e guardou a fé”. Já está na Gloria do Pai, onde é preparado para os destemidos e corajosos na luta por justiça e liberdade.
Que sua luz nos impulsione a cantar “Somos gente Nova” “Agora nos vamos pra luta” “Quero entoar um canto novo de alegria”. Movidos pela fé na ressurreição, ao Deus da vida, rezamos: “Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a Vossa luz!" 

Palavras de Vicente Nascimento (Bacharel em direito e teólogo). 

P.s: A missa de 7º dia será no dia 29 de julho de 2017, sábado, às 9h, na Paróquia São Pedro e São Paulo, que fica na Rua Barão de Igarapé-Miri - Guamá - Belém/PA.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Luta por democracia e axé: Justiça impõe regras para cultos de Candomblé em MG

Em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, Justiça dita dia e horário para a realização de cultos em terreiro



Representantes e praticantes das religiões de matriz africana realizaram um protesto, na terça (18), contra a intolerância religiosa. Vestidos de branco, eles se posicionaram em frente ao Ministério Público e pediram por respeito às tradições da cultura afro-brasileira.

O caso que culminou na manifestação diz respeito a uma imposição da Justiça de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que estipula dia, horário e como devem ser realizados os cultos em um terreiro de Candomblé da cidade.

De acordo com as novas regras, a casa poderia executar as atividades somente nas quartas-feiras e em um único sábado do mês, utilizando apenas um atabaque. Caso as normas não sejam cumpridas, o terreiro está sujeito a multa diária de R$ 100. O documento proíbe, inclusive, a prática de cultos silenciosos fora das datas.

"O que reivindicamos é simplesmente a igualdade de tratamento. A promotoria pública foi preconceituosa, discriminatória. Pensa que é Deus e fala como, quando e a hora que podemos rezar. Estamos lutando por um direito nosso", afirma a diretora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), Makota Celinha.

Contra a medida, uma reunião foi realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com a presença do Procurador Geral de Justiça de Minas, Antônio Sérgio Tonet, do secretário de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), Nilmário Miranda, e representantes das religiões de origem africana.

No encontro, Tonet e Nilmário se comprometeram a negociar a suspensão da medida. Além disso, será organizada uma audiência pública com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e o Ministério Público para tratar do assunto. O Cenarab também ajuizou uma ação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para barrar a imposição.

Edição: Joana Tavares
 
Fonte: Raíssa Lopes | Brasil de Fato

terça-feira, 11 de julho de 2017

Grupo de Filosofia Temática realiza a III Jornada Benedito Nunes


Banner do evento
Com o tema “A Eticidade Ecossistêmica na Amazônia e suas implicações Sociais, Culturais, Científicas e Educacionais”, o Grupo de Filosofia Temática (GFT) realiza a III Jornada Benedito Nunes, nos dias 13 e 14 de julho, no Auditório Setorial do Básico. Além de apresentar palestras e discussões, o evento lançará o novo site do GFT e sorteará livros.

Inscrições - Para participar como ouvinte, é necessário enviar, até 12 de julho, um e-mail para jornadabene@gmail.com, com nome completo, curso e instituição. Para apresentar trabalhos (comunicações) no evento, o participante deve enviar, até o dia 7, um e-mail para o mesmo endereço, com título do ensaio, nome completo do autor, instituição e o resumo do trabalho (com até 500 caracteres).
Os resumos serão avaliados pelos professores Sergio Nunes, coordenador do GFT, Eduardo Ramos, Verônica Capelo, João Batista, Bruno Coelho e Arnin Braga. O tema da comunicação é livre, mas deve ter relação com Amazônia, Cultura, Eticidade, Educação e Ciência. O evento conta com certificado de 15 horas para quem apresentar ensaios ou de 10 horas para ouvintes.
Programação - Com início às 9h, o primeiro dia será aberto com a apresentação do novo site do GFT. Em seguida, das 10h às 12h,o professor doutor Ramon Capelle ministrará a palestra ”Eticidade, Sistêmica E Informação”. Depois de um intervalo para o almoço, das 14h às 18h, ocorrerão as comunicações e um debate final.
O dia 14 dará continuidade às comunicações, das 8h às 12h, Cada comunicação terá 20 minutos e 30 minutos de debate ao final. Para finalizar o evento, ocorrerá a segunda parte da palestra ”Eticidade, Sistêmica E Informação, às 15h, seguida de um sorteio de livros, às 17h30.

Objetivo e Importância - Voltado para estudantes de graduação e de pós-graduação de todas as áreas e Instituições de Ensino Superior, o evento tem o objetivo de “pensar a Amazônia e suas problemáticas sob o ponto de vista social, educacional, cultural, científico e sobretudo ético”, explica o professor Sergio Nunes. Além disso, para ele, a Jornada “visa à interdisciplinaridade entre os sabeŕes, uma iniciativa de diálogo e partilha do conhecimento entre a filosofia e as demais ciências.”
Objetiva, também, homenagear o professor, crítico literário e escritor Benedito Nunes, um dos fundadores do curso de Filosofia da UFPA. Por isso, para o coordenador, o evento tem “a importância, hoje, segundo o nosso tema ‘A eticidade ecossistêmica na Amazônia e suas implicações: cultural, educacional, social e científica’ e tem como fundamento a relação entre o homem e o meio ambiente, a forma como se dão políticas de intervenção na Amazônia.”

Expectativas - Segundo o professor Sergio, “as jornadas anteriores foram exitosas, mas ainda prematuras. Para a deste ano, tivemos um planejamento mais adequado". Por isso, para ele, neste ano, “a expectativa está em dois pontos de convergência entre a Academia e a floresta, ou seja, a presença do filósofo Ramon Capelle, da Federal do Ceará, e a do índio Poro Borari, do Baixo Amazonas”.

Grupo de Filosofia Temática - Criado em 5 de julho de 2013, a partir dos grupos “Grupo de Pesquisa Viquiano” e “Grupo de Filosofia da Mente”, o GFT recebeu seu nome baseado no texto "A filosofia, sua natureza, seus problemas e seu método", do professor Antônio Trajano. O grupo, vinculado à Faculdade de Filosofia, “nasceu da necessidade de se ampliar as áreas de conhecimento da Filosofia, tornando-se interdisciplinar e dialogando com as demais ciências”, explica o coordenador.
O grupo funciona no Programa Trópico em Movimento e apresenta diversas atividades como palestras, grupo de estudos e projetos de pesquisa e extensão. De acordo com o professor, também reúne alunos de diferentes cursos e áreas, já que acreditam “que o conhecimento compartilhado é a base de um novo olhar, uma nova interpretação da realidade”, conta.

Serviço:III Jornada Benedito Nunes
Local: Auditório Setorial do Básico
Data e Hora: 13 e 14 de julho, de manhã e de tarde.
Inscrições: jornadabene@gmail.com
Mais informações aqui
Texto: Alice Palmeira - Assessoria de Comunicação da UFPA
Arte: Divulgação

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Seminário Internacional América Latina será em novembro

O SIALAT é um evento que pretende despertar para lacunas em estudos no campo das ciências sociais. Trata-se de temas relacionados ao desenvolvimento e a colonialidade, considerando abordagens críticas e comparativas.
Haja vista os objetivos propostos e toda a organização que está sendo levada a termo, o SIALAT traz uma contribuição enorme a construção do campo das ciências sociais e da sociologia em particular, sobre a América Latina. Assim, pretende debater situações comuns que atravessam hoje os países da América Latina com base em resultados de pesquisas produzidas em universidades, em institutos de pesquisa, em programas de pós-graduação e outras instituições reconhecidas pela sua excelência. Aprofundando o debate crítico sobre as políticas, os conflitos sociais, o processo histórico de transformação considerando as práxis sociais, as lutas sociais e os movimentos sociais, inclusive das conjunturas de crise econômica e política.
Desta forma, propiciar o intercâmbio de ideias, estudos, pesquisas e debates na análise de experiências de governos e de organizações da sociedade civil em relação às políticas públicas, e incrementar o intercâmbio acadêmico-científico tomando como referência os próprios Programas de Pós-Graduação no campo do desenvolvimento e de temas a ele correlatos.

terça-feira, 13 de junho de 2017

“Agro é pop”: propaganda da Globo sobre cana tem imagens de escravos

Gravuras de Henry Koster e Hercule Florence sobre engenhos ilustram trecho que celebra os R$ 52 bilhões movimentados pelo setor; JBS e Ford patrocinam.
 
Moagem na fazenda Cachoeira, Campinas, SP

A reportagem é de Alceu Luís Castilho e publicada por De Olho nos Ruralistas, 11-06-2017.

– Cana é agro. Desde o Brasil colonial a cana ajuda a movimentar a nossa economia. Hoje em dia a cana gera um dos maiores faturamentos do campo: R$ 52 bilhões.
Assim começa a propaganda da Globo sobre a cana-de-açúcar. A peça exibida em horário nobre, em rede nacional, tem 1 minuto. E se encerra com o bordão da série patrocinada pela própria emissora, em defesa do agronegócio: “Agro é tech. Agro é pop. Agro é tudo“. O patrocínio específico é da Seara – marca do grupo JBS – e da Ford, com a marca Ford Ranger.
As imagens que ilustram a “movimentação da economia” mostram escravos. São gravuras sobre engenhos, ambas do século XIX.

“Um Engenho de Açúcar” (1816), por Henry Koster.
Imagem: Reprodução


Ao lado, uma gravura do pintor Henry Koster (1793-1820), filho de ingleses. A rigor, Henrique da Costa, português, senhor de engenho e exportador de café. Foi publicada em 1816 no livro Travels in Brazil, ou “Viagens ao Brasil”, sob o título A Sugar Mill – Um Engenho de Açúcar. Koster chegou ao Brasil em 1812, comprou escravos em Pernambuco e se estabeleceu como fazendeiro. Seu pai, John Theodore Koster, comercializava açúcar.
Henry Koster é autor do livro “Como melhorar a escravidão”, também de 1816. Em artigos sobre a obra, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha mostrou que o direito à alforria e ao peculium (usufruto de uma propriedade), reportados por Koster, só foi registrado em leis escritas em 1871. E esse direito, diz ela, “foi a origem do mito da escravidão branda no Brasil”.
As imagens aparecem logo nos primeiros segundos do vídeo. Assista:
A segunda imagem [na foto principal] é uma aquarela feita por Hercule Florence (1804-1879), francês radicado no Brasil e um dos pioneiros da fotografia no mundo. Chama-se “Engenho de cana – São Carlos“. Florence morava em Vila de São Carlos, que em 1847 passou a se chamar Campinas (SP). Como a gravura é de 1840 ele não se refere, portanto, ao município paulista com esse mesmo nome, São Carlos, fundado na década de 1850, que se tornaria um dos centros da cultura cafeeira no século XIX.