sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Professores e professoras e os desafios da educação étnico-racial




 
 
 
 
O Encontro de professoras e professores terá como temas centrais os desafios da implementação da Lei 10639/03 e as relações étnico-raciais e visa aglutinar, mobilizar professores (as) de distintas regiões do Pará, para tratar de ações do enfrentamento ao racismo no ambiente escolar, assim como criar uma rede estadual de professoras (es) para articular ações para trabalhar mais efetivamente e Lei 10639/03.

O evento será realizado nos dias 13,14 e 15 de setembro de 2019
Local: auditório do IFPA, na Almirante Barroso, 1155, Marco, Belém- PA
Horário: 9h às 17h
Os professores da rede estadual serão autorizados a participar através de inscrição neste link.

Mais nformações: projetoeducacaoenegritude@gmail.com ou pelo telefone (Whatsapp) 91 98065-3453.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Babalaô Ivanir dos Santos recebe prêmio internacional por luta contra a intolerância religiosa

Ivanir dos Santos - foto de Brunno Rodrigues

Professor e doutor Babalaô Ivanir dos Santos recebe prêmio em Washington

O prêmio International Religious Freedom (IRF) será entregue pelo State Department’s Office of International Religious Freedom. 


Em sua primeira edição, o prêmio destacou quatro pessoas, selecionadas em todo o mundo. A principal missão do referido departamento é “monitorar as perseguições religiosas e a discriminação em todo o mundo,  com o intuito de implementar políticas nas respectivas regiões ou países e desenvolver programas para promover a liberdade religiosa”, além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pela causa, como é o caso de Ivanir dos Santos, que é interlocutor da CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. 
Prof e Dr. pela UFRJ, Ivanir traz um legado de mais de 40 anos de muitas batalhas. Figura ímpar no cenário nacional, vem há anos no combate ao racismo e principalmente a luta contra à intolerância religiosa. Mas além de reivindicar, vem buscando diálogos com grupos de estudos e pesquisas em âmbitos internacionais, o professor Ivanir vem construindo e fomentando ações para o fortalecimento dos laços entre os intelectuais afro-brasileiros, afro-americanos e africanos. Além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pelas liberdades, contra o racismo e em prol dos direitos humanos. 
Foi interno da Funabem, seguiu o caminho inverso das estatísticas, ao se tornar uma referência no Rio. De sacerdote (há 24 ano) à academia (desde 2015 – UFRJ), conta com um séquito de religiosos (diversos seguimentos), alunos e pessoas influentes. Sua tese, intitulada  “Marchar não é Caminhar: Interfaces Políticas e Sociais das Religiões de Matrizes Africanas no Rio de Janeiro contra os processos de Intolerância Religiosa (1950-2008)”, busca fazer um análise histórica do desenvolvimento e crescimento da intolerância religiosa no Brasil, que é fomentada desde o período colonial até os dias atuais,  evidenciando e pontuando processos de resistências das religiões de matrizes africanas frente à intolerância religiosa e demonização de suas culturas e tradições, mostrando também e identificando os diversos momentos e que o Estado age de forma repressiva.
A pesquisa, que também apresenta um balanço social e político dessas ações repressoras, também faz um alerta sobre os riscos que corremos quando o Estado, que constitucionalmente é declarado laico, ajuda a promover ações anti-democráticas voltadas exclusivamente para um único grupo religioso em detrimento de outros. A pesquisa, é fruto dos das ações e pesquisas realizadas no combate à intolerância religiosa. Ações essas, que vem desenvolvendo à frente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) – atuando como interlocutor, bem como na realização da Caminha em Defesa da Liberdade Religiosa, em 2017, onde se prepara para realizar a 12ª edição, que tem com meta, levar mais de 100 mil pessoas à Copacabana, juntas em prol do diálogo inter-religioso e da tolerância religiosa no país. 
Citando algumas prêmios nos últimos anos. Com suas ações, criou jurisprudência sobre a Lei nº. 7.716, que transformou o racismo em crime inafiançável e imprescritível. Por sua luta contra o racismo, a xenofobia e a intolerância, recebeu, em 1997, da Federação Israelita do Rio de Janeiro, o Prêmio Adolpho Bloch. Em dezembro de 1999, Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi agraciado com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, conferido por uma comissão da sociedade civil e membros do governo, entregue a Ivanir dos Santos pelo presidente da República. Recebeu Prêmio Direitos Humanos 2014 (em sua 20ª edição). Com mais esse prêmio, essa é a prova que ele tem voz e agora em nível internacional.

Encontro de Pesquisa em Comunicação na Amazônia - Epca 2019


Encontro de Pesquisa em Comunicação na Amazônia - Epca 2019
20, 21 e 22 de novembro de 2019
UFPA - Belém/PA
 
“Comunicação e resistências: ameaças à democracia, lutas por reconhecimento e políticas do cotidiano”, quer evidenciar a necessidade de um posicionamento político da ciência ao atual cenário, abrindo espaço para críticas e reflexões em torno do caráter central da comunicação nas relações sociais e sua relevância nos processos de emancipação, nas relações de poder, de dominação e nas práticas de resistência contemporâneas.
Também quer demarcar a peculiaridade da produção de conhecimento na Amazônia, trazendo à tona agentes e grupos da região que em suas diversas formas de atuação na sociedade se propõem a construir alternativas para enfrentar e superar o atual projeto de poder.

Saiba mais no sítio do evento: https://epcamazonia.com.br/

sábado, 22 de junho de 2019

Igrejas e comunidades LGBTI+ se unem contra a intolerância

Teve início nesta quarta-feira (20) o 1º Congresso Igrejas e Comunidades LGBTI+. O objetivo é discutir a diversidade sexual e de gêneros a partir de uma perspectiva ecumênica, formas de estreitar os laços de espaços religiosos para minimizar o preconceito e intolerância . Os encontros seguem até o dia 23 de junho.


Fonte: Rede TVT

terça-feira, 18 de junho de 2019

Fórum Entrevista: Igrejas tornaram-se lavanderias para o dinheiro das milícias, diz Jacqueline Muniz

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), antropóloga e cientista política diz que o desmanche das UPPs possibilitaram a "neomiliciazão do Rio de Janeiro", que voltaram a financiar carreiras políticas


https://youtu.be/xf6HArcyRp4


Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), antropóloga e cientista política, Jacqueline Muniz disse em entrevista a Renato Rovai, editor da Fórum, que muitas agremiações religiosas são montadas com o intuito de se tornarem lavanderias do dinheiro do crime angariado pelas milícias no Rio de Janeiro. 
“Lavanderias do dinheiro do crime passa por agremiações religiosas. Onde é que você vai lavar o dinheiro do crime, você vai usar as agremiações religiosas porque cada uma delas tem um CNPJ. Então você pode criar uma casa de oração ali na esquina, lavar o dinheiro do crime e com isso também produzir intolerância religiosa, destruição de terreiros nas comunidades populares”, disse a especialista em segurança pública, que contou, em entrevista à Fórum a história das milícias, ou o que ela chama de comandos armados.
Segundo ela, a formação desse grupos armados para controle territorial é histórica e o desmanche das UPPs possibilitaram a “neomiliciazão do Rio de Janeiro”.
“As UPPs significavam prejuízo para as economias criminosas e boa parte das carreiras políticas, tanto do político local ao Senado, que financiavam a carreira com esse dinheiro”, disse ela, sobre o movimento de instalação das milícias nas comunidades periféricas do Rio, que começou nos anos 80.
Jacqueline Muniz ressalta que a formação de grupos armados para controles territoriais é muito comum “quando não se tem controle sobre os meios de força (forças armadas e polícias)”.
“Sempre que você tem governos débeis, incapacidade de governar e controlar a polícia, o fenômeno da milícia emerge. Quem dá o alvará de funcionamento para os domínios territoriais armados é o Estado, são setores do governo. É como se o Estado terceirizasse suas funções”, diz ela.

Assista à entrevista na íntegra em
https://youtu.be/xf6HArcyRp4
 

sábado, 25 de maio de 2019

Casa de candomblé é derrubada pelo governo do DF; 'Intolerância religiosa', diz OAB

Construção é filial da Casa do Caboclo, entidade fundada em 1975. Governo afirma que área pública sofria 'parcelamento irregular'.

Por Marília Marques e Letícia de Oliveira, G1 DF e TV Globo

Membros da Casa do Caboclo, no Lago Norte, cantam e dançam ao redor de construção derrubada pelo DF Legal — Foto: TV Globo/Reprodução

Após a derrubada da construção de uma filial do terreiro de candomblé Caboclo Boiadeiro – o centro mais antigo do Distrito Federal, fundado em 1975 – a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) decidiu recorrer do caso por entender que a destruição do imóvel pelo governo foi um "ato de intolerância religiosa".

A ação que demoliu a casa de matriz africana no Lago Norte foi organizada pelo DF Legal – antiga Agência de Fiscalização (Agefis) – na segunda-feira (20), mesma semana em que o novo órgão começou a funcionar.

Segundo a presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB-DF, Patrícia Zapponi, "louças, imagens e itens sagrados foram destruídos".

"Nosso sagrado estava ali. Não podemos tirar nada, arrebentaram a cerca e, sumariamente, derrubaram tudo", afirma Patrícia.

Os membros da religião disseram ainda que a direção do centro espírita não foi notificada. Em nota, o DF Legal informa que a obra demolida era "recente e irregular". A secretaria disse ainda que o espaço estava "sem identificação e tratava-se de parcelamento irregular de área pública".

"O imóvel não possuía características de templo religioso e, sim, de moradia", diz o comunicado enviado à reportagem. Além disso, o GDF afirma que remoções em locais públicos "não necessitam de prévia notificação".

O local atendia cerca de 100 pessoas por sessão, mas, no momento da derrubada, por volta de 7h, não havia frequentadores no local.


Denúncia

Em março, o governo recebeu uma denúncia de desmatamento em área de preservação ambiental no local onde a filial do terreiro estava construída. Na época, a Agência de Desenvolvimento (Terracap) identificou a construção e pediu uma atitude do DF legal.

Os coordenadores do terreiro de candomblé entraram com um pedido de regularização da área no ano passado, junto à Secretaria de Meio Ambiente e à Agricultura do DF, porque o lote fica próximo ao Córrego do Urubu.

"Foi um ato de intolerância religiosa. Têm várias construções à nossa volta, nenhuma foi derrubada, só a nossa."

Mesmo com os documento em mãos, os fiscais "não pediram para ver", afirma o líder Américo Neves Filho, conhecido como Pai Lilico. "Arrebentaram a cerca e começaram a derrubar a casa do lado de fora, sem procurar saber o que era".

10 anos sem regularização
De acordo com o GDF, as áreas ocupadas no DF até 31 de dezembro de 2006 são passíveis de regularização. Nos últimos 10 anos, no entanto, nenhuma área de terreiro foi regularizada em Brasília.

Sobre o assunto, o governo aponta que "é compromisso da atual gestão acelerar o processo de regularização das áreas de terreiro até o final do ano".

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Saudades de Arthur. Lutemos como ele!

Há um ano atrás, 15 de maio de 2018, por volta das 19h, participávamos de um carnaval diferente. A praça de folia era a portaria de uma capela mortuária na Av. Conselheiro Furtado, em Belém/PA. Sim, estávamos lá atendendo ao convite do entusiasta professor de arte e ativista político-cultural Arthur Leandro, também conhecido pelo seu nome afro-religioso de Tata Kinamboji, que em mais uma de suas surpresas partira pela manhã "de volta ao seio sagrado de Nzambi" (aprendi dizer isso naquele dia).
Entre batuques, palmas e canções, aquele antivelório expressava muito de quem foi e quem é, pois está conosco sempre, Arthur Leandro. Iconoclasta, irreverente e impactante. Um convite para o estranhamento daquilo tudo que parece habitual ou adequado nos padrões da sociedade branca-cristã-heteronormativa.
Ao lembrar que, anos antes, uma de suas intervenções artísticas foi publicar a notícia de sua morte no obituário de um grande jornal da cidade, denunciando, assim, que a imprensa não tem compromisso com a verdade e sim com o quanto recebe, revelo que ficou em mim uma expectativa de que aquilo tudo era mais um de seus atos poéticos e políticos. Imaginei ele postando depois freneticamente nas redes sociais algo assim "como podemos nos reunir em um velório, mesmo diante de nossa diversidade e agendas tão apertadas, e não conseguimos nos juntar pra ter mais força pra combater nossos inimigos comuns: os racistas, os fascistas e uma cambada de filha da puta que nos perseguem todos os dias...".
Passou um ano e sua audácia nos faz falta. Mas estamos aqui, Tata. São tempos absurdos, mas a luta segue. Seguem também conosco seus ensinamentos e destemor. 
Queria postar aqui uma foto tirada nas ladeiras do Pelourinho, em Salvador, durante o Fórum Social Mundial do ano passado, quando Giovana, eu e o Arthur nos encontramos. Ele ia zimbado na cadeira de rodas elétricas por aquelas ladeiras de pedras. Mas a foto perdeu-se nas "nuvens" deste céu louco digital. Mas, mantenho a homenagem com esta foto mais formal de um grande dia. O dia que fomos convidados para palestrarmos na criação da Comissão de Liberdade Religiosa da Assembleia Legislativa do Pará.


Por Tony Vilhena
Coordenador do Instituto Ramagem