quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Quilombola recebe ameaça de morte no agreste de Pernambuco

Um dos principais líderes quilombolas de Pernambuco e presidente da associação da comunidade quilombola de Castainho, no agreste do estado, José Carlos Lopes, 63, sofreu nova ameaça de morte em decorrência de sua atuação frente à associação da comunidade e à luta em defesa de seu território. A ameaça ocorreu no último domingo, dia 15/09/19, quando testemunhas receberam o recado de que iriam tirar a vida do quilombola, havendo inclusive comprado toucas ninjas para executar a ação.
 O quilombola já registrou Boletim de Ocorrência na delegacia de Garanhuns e espera que investigações sejam realizadas e medidas emergenciais sejam tomadas com o intuito de impedir novas situações de violência. Já há vários anos, José Carlos Lopes vem sendo vítima de ameaças de mortes, que a despeito de serem proferidas por diferentes atores, ocorrem todas em decorrência de sua atuação, enquanto presidente da associação, em defesa do território quilombola de Castainho.
 O quilombola vive sob a proteção do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos do estado há aproximadamente cinco anos.  Por orientação do Programa, em 2014, José Carlos precisou se afastar por cerca de três meses da comunidade onde nasceu e se criou, devido às fortes ameaças de morte que vinha sofrendo.
 Comunidade Quilombola de Castainho: Uma história a contar - A Comunidade Quilombola de Castainho há décadas tornou-se um exemplo de luta pela efetivação dos direitos e pela demarcação dos territórios quilombolas no estado e no país. O quilombo ficou nacionalmente conhecido por ser a primeira comunidade pernambucana a receber o título da Fundação Palmares, em maio de 1997, após vários anos de luta das famílias. Castainho, juntamente com a comunidade de Conceição das Crioulas, também foi a primeira a passar pelo processo de demarcação territorial no estado. O exemplo da luta de Castainho repercutiu e inspirou outras comunidades do entorno a lutarem pelo reconhecimento da identidade quilombola e pela demarcação de seus territórios.

CEDENPA E GEAM CONVIDAM PROFESSORES E PROFESSORAS PARA A RODA

Visita ao Terreiro Nangetu
A roda, o círculo, é lugar de igualdade, de se olhar de frente, um valor civilizatório das africanidades presente na roda de capoeira, na roda de samba, na gira do terreiro, na ciranda das crianças... 

O Grupo de Estudos Afro- Amazônicos (GEAM) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA) promoveram o Encontro Estadual de Professores do Pará: os desafios da educação étnico-racial, de 13 a 15 de setembro de 2019, em Belém. Desta forma, garantiram um espaço importante para (re)articulação de educadores e educadoras para a implementação da Lei 10.639, que institui o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas.
O encontro foi proposto como ação organizativa do “Projeto de Extensão Universitária Educação, Negritude e Resistência”, tendo como um dos objetivos criar uma Rede de Professores/as que trabalham a temática das relações Étnico-Raciais em distintos municípios paraenses.
No dia 13 de setembro, a conferência de abertura foi ministrada pelo Prof. Msc. Billy Malachias do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), que explanou sobre a importância de criação de conteúdos e materiais para a diversidade. Posteriormente, foi promovida a mesa-redonda intitulada "Cenários da educação para as relações étnico-raciais na Amazônia", composta pela Profa. Dra. Zélia Amador de Deus (UFPA e CEDENPA), Profa. Esp. Helena do Socorro Campos da Rocha (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros - NEAB/IFPA) e Profa. Esp. Kátia Simone Alves de Araújo (Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial - COIPIR/SEDUC), que apresentou experiências exitosas de projetos pedagógicos de combate ao racismo, enfatizando a importância da implementação da Lei 10.639/2003, que Alterou a LDB, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, e que foi alterada pela Lei 11.645/2008, acrescentando a questão indígena. A mesa também apontou desafios para a implementação da legislação educacional antirracista, destacando-se: forte cultura racista presente no cotidiano das escolas e da sociedade, falta de interesse de gestores para a importância e emergência do tema e carência de qualificação de profissionais da educação para inserção de projetos na área.
Entre as oficinas optativas, a de "Educação, Africanidades e Novas Tecnologias", com o Prof. Guinê Ribeiro, abordou as estratégias de uso das tecnologias computacionais para a geração de articulação do movimento negro e de disseminação de valores civilizatórios africanos. E a oficina de "Religiões de Matrizes Africanas no contexto escolar", com o Prof. Msc. Rodrigo dos Santos, que ministra a disciplina Ensino Religioso na Rede Pública de Educação, elaborou um balanço do racismo religioso que persegue as religiões de matrizes africanas e apresentou propostas de como se trabalhar em sala de aula com respeito às religiões afro-brasileiras, garantindo os conhecimentos necessários para responder ao que pede a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

No dia 14 de setembro, o evento promoveu a mesa-redonda “As religiosidades de matrizes africanas na Amazônia”, oportunidade que o sacerdote Baba Edson Catendê e as sacerdotisas Mametu Nangetu Nzambe e Mametu Muagile expuseram as modalidades de expressões de suas crenças e fé, enfatizando que o universidade das religiões de matrizes africanas é muito diverso. O maior problema enfrentado é a persistência do racismo religioso e da demonização de seus cultos. Os debates desta mesa merecem ser destacados pelos pronunciamentos de muitos dos professores/as que revelaram que ainda não haviam percebido a importância de sua atuação para o enfrentamento da intolerância religiosa e pelo comprometimento assumido para a promoção da diversidade.
Em seguida, iniciaram-se as apresentações da mesa “Educação, Gênero e Diversidades” composta pela Profa. Dra. Dalva Santos, educadora popular Fátima Matos e Profa. Dra. Mônica Conrado. Nesta discussão, veio à tona a questão de o problema da segregação social no Brasil relaciona racismo e sexismo, que atinge negativamente as mulheres, afetando com mais gravidade as mulheres negras. A organização também promoveu vários "relatos de experiências no âmbito da educação para as relações étnico-raciais" por etapas e modalidades da Educação Básica.

No dia 15 de setembro, no encerramento, foi realizada visita técnica no Terreiro Mansu Nangetu - Mansubando Kekê Neta, espaço sagrado de manutenção e preservação das manifestações afro-religiosas de origem Bantu, na cidade de Belém, na Tv. Pirajá, 1194, bairro do Marco da Légua, em Belém. Em metodologia “roda de conversa”, foi apresentado como funciona um terreiro, os seus valores éticos abordados nos discursos e em reuniões, a prática do comunitarismo e a luta contra a permanente campanha de perseguição que sofrem das religiões majoritárias.
No final, o encontro estadual foi avaliado como muito positivo pelos/as participantes. Houve um compromisso de buscar ao máximo, em cada espaço de ação pedagógica, desenvolver atividades que contribuam para a visibilidade e implementação da Lei 10.639, não somente no dia da Consciência Negra (21 de Novembro). Também foi manifestada preocupação com a falta de nomeação da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (COIPIR/SEDUC). Por fim, criou-se uma Frente de Professores/as Contra o Racismo.

Por: Profa. Giovana dos Anjos Ferreira Vilhena e Prof. Tony W. da Silva Vilhena

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Professores e professoras e os desafios da educação étnico-racial




 
 
 
 
O Encontro de professoras e professores terá como temas centrais os desafios da implementação da Lei 10639/03 e as relações étnico-raciais e visa aglutinar, mobilizar professores (as) de distintas regiões do Pará, para tratar de ações do enfrentamento ao racismo no ambiente escolar, assim como criar uma rede estadual de professoras (es) para articular ações para trabalhar mais efetivamente e Lei 10639/03.

O evento será realizado nos dias 13,14 e 15 de setembro de 2019
Local: auditório do IFPA, na Almirante Barroso, 1155, Marco, Belém- PA
Horário: 9h às 17h
Os professores da rede estadual serão autorizados a participar através de inscrição neste link.

Mais nformações: projetoeducacaoenegritude@gmail.com ou pelo telefone (Whatsapp) 91 98065-3453.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Babalaô Ivanir dos Santos recebe prêmio internacional por luta contra a intolerância religiosa

Ivanir dos Santos - foto de Brunno Rodrigues

Professor e doutor Babalaô Ivanir dos Santos recebe prêmio em Washington

O prêmio International Religious Freedom (IRF) será entregue pelo State Department’s Office of International Religious Freedom. 


Em sua primeira edição, o prêmio destacou quatro pessoas, selecionadas em todo o mundo. A principal missão do referido departamento é “monitorar as perseguições religiosas e a discriminação em todo o mundo,  com o intuito de implementar políticas nas respectivas regiões ou países e desenvolver programas para promover a liberdade religiosa”, além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pela causa, como é o caso de Ivanir dos Santos, que é interlocutor da CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. 
Prof e Dr. pela UFRJ, Ivanir traz um legado de mais de 40 anos de muitas batalhas. Figura ímpar no cenário nacional, vem há anos no combate ao racismo e principalmente a luta contra à intolerância religiosa. Mas além de reivindicar, vem buscando diálogos com grupos de estudos e pesquisas em âmbitos internacionais, o professor Ivanir vem construindo e fomentando ações para o fortalecimento dos laços entre os intelectuais afro-brasileiros, afro-americanos e africanos. Além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pelas liberdades, contra o racismo e em prol dos direitos humanos. 
Foi interno da Funabem, seguiu o caminho inverso das estatísticas, ao se tornar uma referência no Rio. De sacerdote (há 24 ano) à academia (desde 2015 – UFRJ), conta com um séquito de religiosos (diversos seguimentos), alunos e pessoas influentes. Sua tese, intitulada  “Marchar não é Caminhar: Interfaces Políticas e Sociais das Religiões de Matrizes Africanas no Rio de Janeiro contra os processos de Intolerância Religiosa (1950-2008)”, busca fazer um análise histórica do desenvolvimento e crescimento da intolerância religiosa no Brasil, que é fomentada desde o período colonial até os dias atuais,  evidenciando e pontuando processos de resistências das religiões de matrizes africanas frente à intolerância religiosa e demonização de suas culturas e tradições, mostrando também e identificando os diversos momentos e que o Estado age de forma repressiva.
A pesquisa, que também apresenta um balanço social e político dessas ações repressoras, também faz um alerta sobre os riscos que corremos quando o Estado, que constitucionalmente é declarado laico, ajuda a promover ações anti-democráticas voltadas exclusivamente para um único grupo religioso em detrimento de outros. A pesquisa, é fruto dos das ações e pesquisas realizadas no combate à intolerância religiosa. Ações essas, que vem desenvolvendo à frente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) – atuando como interlocutor, bem como na realização da Caminha em Defesa da Liberdade Religiosa, em 2017, onde se prepara para realizar a 12ª edição, que tem com meta, levar mais de 100 mil pessoas à Copacabana, juntas em prol do diálogo inter-religioso e da tolerância religiosa no país. 
Citando algumas prêmios nos últimos anos. Com suas ações, criou jurisprudência sobre a Lei nº. 7.716, que transformou o racismo em crime inafiançável e imprescritível. Por sua luta contra o racismo, a xenofobia e a intolerância, recebeu, em 1997, da Federação Israelita do Rio de Janeiro, o Prêmio Adolpho Bloch. Em dezembro de 1999, Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi agraciado com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, conferido por uma comissão da sociedade civil e membros do governo, entregue a Ivanir dos Santos pelo presidente da República. Recebeu Prêmio Direitos Humanos 2014 (em sua 20ª edição). Com mais esse prêmio, essa é a prova que ele tem voz e agora em nível internacional.

Encontro de Pesquisa em Comunicação na Amazônia - Epca 2019


Encontro de Pesquisa em Comunicação na Amazônia - Epca 2019
20, 21 e 22 de novembro de 2019
UFPA - Belém/PA
 
“Comunicação e resistências: ameaças à democracia, lutas por reconhecimento e políticas do cotidiano”, quer evidenciar a necessidade de um posicionamento político da ciência ao atual cenário, abrindo espaço para críticas e reflexões em torno do caráter central da comunicação nas relações sociais e sua relevância nos processos de emancipação, nas relações de poder, de dominação e nas práticas de resistência contemporâneas.
Também quer demarcar a peculiaridade da produção de conhecimento na Amazônia, trazendo à tona agentes e grupos da região que em suas diversas formas de atuação na sociedade se propõem a construir alternativas para enfrentar e superar o atual projeto de poder.

Saiba mais no sítio do evento: https://epcamazonia.com.br/

sábado, 22 de junho de 2019

Igrejas e comunidades LGBTI+ se unem contra a intolerância

Teve início nesta quarta-feira (20) o 1º Congresso Igrejas e Comunidades LGBTI+. O objetivo é discutir a diversidade sexual e de gêneros a partir de uma perspectiva ecumênica, formas de estreitar os laços de espaços religiosos para minimizar o preconceito e intolerância . Os encontros seguem até o dia 23 de junho.


Fonte: Rede TVT

terça-feira, 18 de junho de 2019

Fórum Entrevista: Igrejas tornaram-se lavanderias para o dinheiro das milícias, diz Jacqueline Muniz

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), antropóloga e cientista política diz que o desmanche das UPPs possibilitaram a "neomiliciazão do Rio de Janeiro", que voltaram a financiar carreiras políticas


https://youtu.be/xf6HArcyRp4


Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), antropóloga e cientista política, Jacqueline Muniz disse em entrevista a Renato Rovai, editor da Fórum, que muitas agremiações religiosas são montadas com o intuito de se tornarem lavanderias do dinheiro do crime angariado pelas milícias no Rio de Janeiro. 
“Lavanderias do dinheiro do crime passa por agremiações religiosas. Onde é que você vai lavar o dinheiro do crime, você vai usar as agremiações religiosas porque cada uma delas tem um CNPJ. Então você pode criar uma casa de oração ali na esquina, lavar o dinheiro do crime e com isso também produzir intolerância religiosa, destruição de terreiros nas comunidades populares”, disse a especialista em segurança pública, que contou, em entrevista à Fórum a história das milícias, ou o que ela chama de comandos armados.
Segundo ela, a formação desse grupos armados para controle territorial é histórica e o desmanche das UPPs possibilitaram a “neomiliciazão do Rio de Janeiro”.
“As UPPs significavam prejuízo para as economias criminosas e boa parte das carreiras políticas, tanto do político local ao Senado, que financiavam a carreira com esse dinheiro”, disse ela, sobre o movimento de instalação das milícias nas comunidades periféricas do Rio, que começou nos anos 80.
Jacqueline Muniz ressalta que a formação de grupos armados para controles territoriais é muito comum “quando não se tem controle sobre os meios de força (forças armadas e polícias)”.
“Sempre que você tem governos débeis, incapacidade de governar e controlar a polícia, o fenômeno da milícia emerge. Quem dá o alvará de funcionamento para os domínios territoriais armados é o Estado, são setores do governo. É como se o Estado terceirizasse suas funções”, diz ela.

Assista à entrevista na íntegra em
https://youtu.be/xf6HArcyRp4