O evento será todo online pela plataforma Google MEET, de 22 a 24 de março de 2021, sempre das 18h30 as 21h30.
A inscrição para participar é feita no link https://forms.gle/AaRuuTVLWb62y16b9
Religiões pela Paz Brasil une lideranças de múltiplas crenças para assinar documento que conclama governantes e população a se comprometerem com a imunização contra a Covid-19.
O documento que ressalta a importância de seguir as orientações dos especialistas, profissionais da saúde e cientistas, fortalecer a saúde pública e combater a rede de desinformação em torno da doença. A declaração pode ser conferida na íntegra no site e redes sociais da organização.
Assinada por líderes de diversas tradições religiosas, a declaração também salienta que cada brasileiro tem o dever de conter a disseminação do coronavírus, tanto através das medidas de autocuidado quanto por meio da adesão à campanha nacional de vacinação.
Segundo a Pra. Romi Bencke, a vacinação é um cuidado coletivo, um ato de fé, generosidade e compaixão para consigo e a sociedade. “A vacinação é uma atitude de amor a si mesmo e à pessoa próxima. Quando tomamos a vacina, demonstramos em gesto concreto que estamos comprometidos e comprometidas com o bem comum”, explica a Secretária Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC).
Além disso, a declaração honra a incansável luta dos profissionais da saúde ao redor do mundo para erradicar a doença, e chama à responsabilidade governantes pela má gestão do sistema público de saúde neste momento pandêmico e parte das lideranças religiosas, que tem contribuído para reforçar um discurso anticientífico.
De acordo com o Sheikh Mohamad Al-Bukai, Diretor de Assuntos Islâmicos da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI), demonstrar à população brasileira o quanto a vacinação é relevante, enquanto liderança religiosa, diz respeito ao compromisso com os seres vivos presentes no planeta. “Todas as religiões estão comprometidas com tudo relacionado à vida porque, segundo as religiões, a vida é sagrada, seja ela a vida de uma pessoa, animal ou natureza”, analisa ele.
Confira a declaração na íntegra clicando aqui.
Com informações do site: Religiões Pela Paz
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| Arte: F. Palmares |
Quando, no dia 27 de dezembro de 2007, o presidente Lula sancionou a Lei 11.635, que instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, aspirava-se que, enfim, a sociedade brasileira reconheceria e combateria um dos males históricos enraizados desde a colonização portuguesa destas terras no século XVI: a imposição da fé cristã e, por consequência, a perseguição de outras perspectivas de crença e culto.
As primeiras vítimas desta violência foram os povos nativos que aqui estavam primeiro com suas tradições e uma riquíssima diversidade. Posteriormente, os povos africanos que foram escravizados e sequestrados pra cá. Fogueiras foram acesas e corpos queimados em nome de um "Deus acima de todos". Em 2015, o Papa Francisco, ao visitar a Bolívia, pediu "perdão pelas ofensas da própria Igreja contra os povos originários, e também pelos injustificáveis crimes cometidos em nome de Deus durante a chamada conquista da América”.
Somente no final do século XIX, portanto, com o advento da República e intensos debates sobre a laicidade do Estado, o catolicismo deixa de ser religião oficial. A primeira Constituição da República, de 24 de fevereiro de 1891, no Parágrafo 3º do Artigo 72, garante que "Todos os indivíduos e confissões religiosas podem exercer pública e livremente o seu culto, associando-se para esse fim e adquirindo bens, observadas as disposições do direito comum".
Nesta conjuntura de abertura religiosa, o protestantismo, outra vertente do cristianismo, estabelece suas missões com maior envergadura, destacando-se o segmento que veio derrotado da Guerra de Secessão nos EUA, altamente racista e escravocrata. Estas missões, em suma, são as instituições modeladoras da teologia fundamentalista e das práticas autoritárias que vão inspirar a organização da maioria das igrejas que hoje chamamos de "evangélicas" e que crescem em progressão geométrica. Segundo o demógrafo José Eustáquio Alves, a população que se declara evangélica no Brasil será maioria já em 2032.
Outras religiões, no Brasil, ficaram na margem da história, ora perseguidas, ora silenciadas. Mesmo com a laicidade do Estado, a cultura religiosa nacional garante ao cristianismo, seja católico ou seja evangélico, privilégios e status que constrangem cotidianamente pessoas de outros credos ou que são ateias. O seu livro sagrado é referendado como O Livro. Sua moralidade é instituída na influência de leis civis e é gabarito comportamental para toda sociedade. Suas organizações possuem direitos, abonos e isenções como nenhuma outra organização de nenhum outro ramo. Privilégios estes que tendem aumentar, visto o número de parlamentares que formam a Bancada Evangélica no Congresso Nacional. As demais religiões que se ajustem, já que são minoria e não possuem articulação com grande capilaridade para mobilização.
Inclusive, é esta lógica de intimidação religiosa que funciona quando o atual presidente da República, em discurso oficial na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 22 de setembro de 2020, fala que o Brasil é "cristão" e "conservador". O próprio slogan governamental fala em "Deus acima de todos". Entretanto, para muitos que se escandalizam com as posturas violentas e bizarras deste governo, contando até com pequenos movimentos de dentro do próprio cristianismo, fica a pergunta: Que Deus é esse de que se está falando?
É o deus que inspirou as fogueiras da Santa Inquisição. É o deus que se satisfez da escravidão. É o deus seguido por traficantes que destroem terreiros e expulsam pais e mães de santos das comunidades. É o deus dos que desejam que quem não o siga vá para o inferno. É o deus de quem agride quem queira viver sua homoafetividade. É o deus do futuro ministro do STF que será "terrivelmente evangélico", palavras do próprio presidente da República. É o deus de pessoas que chamam de assassina uma menina de 10 anos, vítima de estupro, que pede para interromper sua gravidez. É o deus da goiabeira da ministra. É o deus de um governo que, além de generais incompetentes, tem vários representantes desta religiosidade sinistra em elevados cargos.
O considerável retrocesso civilizatório no qual fomos tragados recentemente torna mais urgente e imprescindível celebrar o dia 21 de janeiro: Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Pois, o discurso religioso violento, que poderia ser considerado um resíduo cultural do processo histórico da formação do Brasil, hoje, está se institucionalizando com o bolsonarismo. A imposição do fundamentalismo religioso está contaminando políticas públicas, determinando a escolha de agentes públicos e relegando toda a diversidade religiosa ao isolamento.
21 de janeiro de 2000, é a data de falecimento da Iyalorixá baiana Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda, fundadora do Ilê Axé Abassá de Ogum, Terreiro de Candomblé localizado nas imediações da Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã em Salvador, em 1988. Ela teve sua saúde afetada e morreu de infarto devido à perseguição e calúnia do Jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus. Que seu exemplo de bondade e luta por justiça inspire nossa resistência contra a intolerância religiosa, por políticas de inclusão e respeito à diversidade.
Por Tony Vilhena (Cientista Político)

Foto de Nonato Pereira: Blog Neemias Cordeiro
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra a emissora de rádio Marajoara, responsável pela rádio Mix FM, em Belém (PA), e contra os radialistas Raimundo Nonato da Silva Pereira e Hailton Pantoja Ferreira pela veiculação de discurso de ódio, preconceito, discriminação e xenofobia contra os indígenas da etnia Warao, originários de onde hoje é a Venezuela.
O programa citado na ação foi ao ar em agosto de 2018. Em alguns minutos de conversa entre o locutor Nonato Pereira e o repórter Hailton Ferreira, o Jimmy Night, diversas vezes os indígenas foram chamados de "vagabundos", entre outros preconceitos e ofensas.
O MPF pediu à Justiça que seja determinada a veiculação pela rádio, por pelo menos um ano, de conteúdos propostos pelos próprios Warao, além do pagamento, pela empresa e pelos radialistas, de R$ 300 mil em indenização por danos morais coletivos aos indígenas.
Separamos aqui apenas um trecho do diálogo entre os radialistas, quando eles avaliam a situação dos Warao em Belém:
- Jimmy Night: [...] Nonato, que a saída seria pegar uma dessas ilhas aqui! Levar todas essas pessoas. Porque eles gostam de viverem lugares abertos perto de rios. São índios! Então não pode colocar dentro de casas.
- Nonato Pereira: Eles não querem nada. Eles não querem nada com nada. Eles querem ficar na vagabundagem, rapaz! Eles querem ficar na vagabundagem pelas ruas de Belém, 'pow'! Não vê ai que apareceu gente oferecendo moradia, oferecendo uma série de outras coisas para os camaradas viverem como viviam na tribo. É uma cambada de índio vagabundo, rapaz!
Vale lembrar que Nonato Pereira já foi preso por fraudes à licitações no município de Vitória do Xingu, é condenado por injúria e difamação e responde por outros processos criminais. Mas, mesmo assim, tem a audácia de se apresentar como a palmatória pública da moralidade, típica dos picaretas do conservadorismo que estão ditando os rumos do Brasil atual.
Com informações do site do MPF
Com foto do Blog Neemias Cordeiro