O Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) é um evento/processo de alcance global que surge no âmbito do Fórum Social Mundial, para lutar pela vida, a Amazônia e seus povos. É um espaço de articulação dos povos e movimentos sociais para a incidência e a resistência política e cultural frente ao modelo de desenvolvimento neoliberal, neocolonial, extrativista, discriminador, racista e patriarcal. Sua décima edição vai acontecer em Belém/PA, de 28 a 31 de julho 2022.
domingo, 10 de abril de 2022
Fórum Social Pan-Amazônico recebe propostas de atividades autogestionadas
O Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) é um evento/processo de alcance global que surge no âmbito do Fórum Social Mundial, para lutar pela vida, a Amazônia e seus povos. É um espaço de articulação dos povos e movimentos sociais para a incidência e a resistência política e cultural frente ao modelo de desenvolvimento neoliberal, neocolonial, extrativista, discriminador, racista e patriarcal. Sua décima edição vai acontecer em Belém/PA, de 28 a 31 de julho 2022.
domingo, 20 de março de 2022
Saudações de um irmão metodista confessante ao agora Bispo Possidônio
| Foto: CNBB |
Nesta semana, ficamos felizes com a notícia de que o Papa Francisco nomeou como bispo coadjutor da diocese de Bragança/PA o Monsenhor Raimundo Possidônio Carrera da Mata, chamado carinhosamente por participantes de várias paróquias de Belém e Ananindeua simplesmente de Padre Cid.
| Mons. Possidônio discursa em caminhada de abertura da CFE 2010 |
domingo, 13 de março de 2022
Sri Lanka em luto por morte do elefante Raja, uma referência para o budismo
| Raja escoltado numa procissão (Fonte: Newswire) |
Por Tony Vilhena (articulador do Instituto Ramagem)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
ARTEMI convida para seminário sobre Intolerância e o Respeito às Religiões nas Escolas
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
JORNADA INTERNACIONAL DOROTHY STANG 2022
Pelo Facebook do Comitê Dorothy
📌 Fevereiro começa nesse mutirão em Defesa da Amazônia que está sendo ameaçada, assim como seu povo.
🌻 Fevereiro também nos lembra do martírio de irmã Dorothy, anjo da Amazônia que tombou defendendo famílias de agricultores que tem o direito sagrado a uma terra para viver e produzir.
🌿 Fevereiro é mês de fazer memória ao legado de irmã Dorothy e de todos aqueles e aquelas que são inspiração para nossa luta ao lado do povo e pela Amazônia.
📌É para esse mutirão virtual que o Comitê Dorothy convida a todos/as os/as companheiros/as a se somarem conosco na live de abertura da Jornada Internacional Dorothy Stang.
Seguiremos fazendo memória ao legado de Dorothy, em defesa da Amazônia e dizendo #ForaBolsonaro!!!
Link da página do Comitê: https://m.facebook.com/dorothystangpa
#jornadainternacional
#emdefesadaamazônia
#dorothyvive
#ForaBolsonaro
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
23 de setembro, Dia Estadual do Ecumenismo no Pará
O QUE É ECUMENISMO
Precisamos lembrar que o termo Ecumênico deriva do grego oikouméne, que significa casa comum. Faz lembrar que todos/as nós habitamos o mesmo "lar", uma metáfora que ajuda a denunciar que uns estão em "cômodos" mais confortáveis, mas a maioria tem que se aglutinar do "pátio" para fora.
O Ecumenismo, em síntese, é um movimento de união de igrejas cristãs no trabalho missionário e ações de justiça social. Sua expressão institucional moderna pode ser identificada na criação de organizações como o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e o Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC). Convencionou-se chamar de Ecumenismo a reunião entre pessoas e instituições cristãs e de Diálogo Inter-religioso quando o encontro religioso reúne grupos de outras crenças, espiritualidades, tradições ou filosofias de vida.
O NASCIMENTO DA PROPOSTA
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| ALEPA: sessão especial da CFE 2010 |
Naquele ano, além da CF Ecumênica, estávamos rememorando o centenário da Conferência Missionária de Edimburgo - Escócia, que reunião mais de 1.500 delegados/as de ministérios protestantes da Europa e Estados Unidos, tornando-se um marco para o Ecumenismo "moderno".
A deputada Bernade Ten Caten, que presidia a Sessão, abraçou a proposta e pediu para que a oficializássemos junto ao seu Gabinete. Após aprovação na Assembleia do CAIC (primeira foto desta matéria), de 08 de maio de 2010, que ocorreu na sede da Igreja Presbiteriana Unida, em Ananindeua, a assessora teológica do CAIC, socióloga e teóloga Roseane Brito, ficou responsável por redigir a minuta do Projeto de Lei.
Sua principal fonte histórica, de onde retirou a data simbólica, foi a dissertação do prof. dr. Antônio Carlos Teles da Silva, que é mais conhecido como pastor Toninho, pois já atuou no Pará como pastor metodista e, anos depois, luterano, além de ter sido professor na Universidade do Estado do Pará (UEPA). No trabalho intitulado "As origens do movimento ecumênico na Amazônia paraense", pr. Toninho usa sua experiência de militância ecumênica para forjar uma pesquisa historiográfica e teológica sobre o assunto, com o recorte geográfico de onde vivenciou as práticas de unidade entre igrejas cristãs e substancioso referencial teórico.
POR QUE 23 DE SETEMBRO?
Segundo os estudos do pr. Toninho, no início da década de 1980, em plena ditadura militar, a repressão do estado brasileiro dobrava sua violência na Amazônia.
A dissertação apresenta a reunião de diferentes credos no velório do estudante de Matemática César Moraes Leite, morto em sala de aula, na UFPA, no dia 10 de março de 1980, com um tiro "acidental" de um agente da Polícia Federal que espionava as organizações estudantis. O pr. Toninho, que era estudante na época, participou do cortejo e das demais manifestações.
O Memorial César Moraes Leite faz o seguinte registro sobre o citado velório:
A realização de um culto ecumênico que fora realizado pelo padre Savino Mombelli, que era professor de Teologia da UFPA, do padre Ricardo Rezende Figueira que era vice-presidente da CPT da região do Araguaia-Tocantins, do padre Bernard Hoyos Montoya que era professor da UFPA, do Frei Edilberto Sena de Santarém, de [pastora] Rosa Marga Neves da Igreja Evangélica Confissão Luterana e do rabino Abrahão Hamu da Igreja Israelita do Brasil. O documento destaca a postura de radicalização do referido culto ecumênico frente do regime militar especificando a atuação dos padres Savino Mombelli e Ricardo Figueira e da teóloga Rosa Marga Neves.
Neste clima de tensão, em 1981, ao redor da cidade paraense de São Geraldo do Araguaia, posseiros/as, ou seja, grupo de trabalhadores/as rurais que plantavam em terras latifundiárias reivindicadas por vários supostos "donos", vinham sendo ameaçados pelos fazendeiros para desistirem de trabalhar nas roças abertas. Jagunços pagos pelos fazendeiros botavam fogo nas casas dos/as lavradores/as e desfilavam com suas armas como intimidação.
Os padres franceses Aristides Camió e Francisco Gouriou se solidarizaram com a situação dos/as posseiros/as e passaram a fazer a assistência daquele povo. Não tardou em vir a perseguição. Em agosto de 1981, ações intensas da Polícia Federal, apoiada pelo Exército Brasileiro com uso de helicópteros e armamento pesado, sitiaram a cidade na caça aos/às posseiros/as e dos padres que ajudava aquelas famílias.
Até que, no dia 31 de agosto de 1981, prenderam os padres Aristides Camió e Francisco Gouriou e, inclusive, a senhora Oneide Ferreira Lima, agente de pastoral, viúva do líder assassinado “Gringo” e vizinha da casa paroquial.
A pressão das manifestações locais e a repercussão nacional do caso forçaram a transferência dos presos para a sede da PF em Belém, incluindo os padres, no dia 11 de setembro de 1981. Entidades da sociedade civil, organizações religiosas e partidos políticos da oposição à ditadura criaram o Movimento Pela Libertação dos Presos do Araguaia (MLPA), que promoveu abaixo-assinados, panfletos, informativos e manifestações públicas que denunciavam a injustiça das prisões e os espancamentos e cerceamento de direitos humanos no cárcere.
Em 21 de setembro de 1981, chegam a Belém os familiares dos presos políticos do Araguaia e foram fazer as visitações no cárcere. Os relatos confirmaram as violências da prisão. Então, juntando todas as informações de desrespeito aos direitos básicos de um ser humano e a indignação diante de tanta opressão, no dia 23 de setembro de 1981, ocorreu um culto ecumênico em frente à sede da Polícia Federal, reunindo representantes das Igrejas Católica, de Confissão Luterana (IECLB), Metodista, Batista e Evangelho Quadrangular.
Este culto ecumênico de 23 de setembro de 1981, em Belém, clamando por justiça e liberdade aos presos do Araguaia foi escolhido como marco para o movimento ecumênico regional. Engajar-se na luta por justiça e fraternidade, acolher quem sofre opressão e cooperar para a cultura de paz, são princípios do Ecumenismo, muito bem representados naquela celebração pela vida.
Após protocolarmos a proposta de Lei do Dia Estadual do Ecumenismo no Pará, em meados de 2010, apresentamos ofício para todos os gabinetes de deputados/as em defesa da aprovação. Após mais de um ano de tramitação, em 09 de outubro de 2012, a lei foi sancionada (veja aqui).
Sabemos, como diria Drummond, que os "lírios não nascem das leis". Mas usar os meios oficiais para provocar uma reflexão sobre o Ecumenismo na Amazônia visa incentivar que novas pessoas descubram estas histórias e se envolvam neste exercício de fé, militância pelo bem comum e diálogo.
O Dia Estadual do Ecumenismo no Pará também serve para render homenagem a quem deu grande contribuição para iniciativas ecumênicas. E aqui, em nome de várias irmãs e vários irmãos que se dispuseram a prestar um testemunho de entrega ao próximo, celebramos a memória de nossa saudosa pastora de Confissão Luterana Rosa Marga Rothe, que nos deixou em 04 de junho de 2016. Pastora Marga esteve no culto ecumênico de 23 de setembro de 1981, em frente da sede da Polícia Federal, foi a primeira Ouvidora do Sistema de Segurança Pública do Pará, contribuiu na fundação do CAIC e na criação da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH).
Prof. Tony Vilhena - Cientista Político
terça-feira, 21 de setembro de 2021
Política e religião. A divisão de cargos políticos por crença no Líbano.
Na década de 1940, instituiu-se a
tradição que indica que a presidência do país deve ser ocupada por um
cristão maronita, o primeiro-ministro deve ser um muçulmano sunita e o
porta-voz do parlamento deve ser um muçulmano xiita.
LÍBANO E SUAS CRISES
Já havia um histórico de crise econômica e impasse político no Líbano, país da Ásia que faz fronteira com a Síria ao norte e Israel ao sul. Mas tudo piorou quando no dia 04 de agosto de 2020 uma explosão arrasou o porto da capital Beirute e seus arredores, matando mais de 200 pessoas e deixando mais de 6 mil feridos.
A explosão de centenas de toneladas de nitrato de amônio, que eram armazenadas inapropriadamente sob os olhares negligentes das autoridades de segurança, também fizeram desmoronar o governo libanês. Protestos forçaram a renúncia do primeiro-ministro Hassan Diab, eminente professor de engenharia na Universidade Americana de Beirute e ex-ministro da Educação, que vivia o ápice de sua ascensão política. O caos se estabeleceu, atrapalhando, inclusive, as tentativas de ajuda internacional, visto que os países ficaram inibidos em contribuir para a reconstrução de Beirute, correndo o risco de verem suas ajudas serem desviadas pela corrupção ou dissipadas em outros gastos provocados pelas disputas internas. Entretanto, ressaltamos, que este não é o caso da ajuda prometida pelo governo brasileiro: quatro mil toneladas de arroz. Passado todo esse tempo, não foi enviada por mera incompetência mesmo.
ACORDO CONFESSIONALISTA
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| Nabih Berri (presidente do Parlamento), Michel Aoun (presidente da República) e Najib Mikati (primeiro-ministro). Foto: STRINGER / DALATI AND NOHRA / AFP |
Num país erguido na diversidade conflitante, foi necessário criar uma equação política e religiosa em busca de consenso. No livro Tensões Mundiais, Jamil Zugueib Neto e Fábio Bacila Sahd* apontam as origens beligerantes da criação de um Estado libanês:
"as populações que habitavam aquele território já se caracterizavam por marcadas cizânias sectárias. Às identidades religiosas mesclavam-se o preconceito, os interesses políticos conflitantes e a hegemonia de umas sobre as outras, resultando em recorrentes embates armados e deslocamentos populacionais" (p. 18).
ACORDO DE TAIFE
A institucionalização constitucional desse arranjo entre política e religião foi firmada no Acordo de Taife, em 1989. Taife é uma cidade na Arábia Saudita que, em 22 de outubro de 1989, abrigou o encontro entre 62 parlamentares libaneses, sendo 31 cristãos e 31 muçulmanos, para redigirem a Carta Nacional de Reconciliação.
Em suma, usando levantamento da pesquisa intitulada O Líbano e o Nacionalismo Árabe, de José Ailton Dutra Júnior**, podemos saber que:
"atualmente (2014) o estado libanês reconhece oficialmente 18 comunidades religiosas. Entre as cristãs temos: os maronitas, greco católico, greco ortodoxo, armênios gregorianos, armênios católicos, sírios ortodoxos (jacobitas), protestantes, etc. Entre as muçulmanas: sunitas, xiitas, drusos, alauítas. Também houve o reconhecimento oficial dos judeus que chegaram a contar com alguns milhares de indivíduos" (p. 19).
Continuando, temos os sunitas, maior segmento do Islã, com forte presença e considerável crescimento na África e Ásia. Já os xiitas são minoritários no Islã, mas já foram o segmento religioso mais numeroso no Líbano, pois foram os primeiros a ocupar o território. A diferença entre sunitas e xiitas está na raiz do islamismo. Pois, para os xiitas, após a morte de Maomé, quem deveria assumir a liderança por herança eram os familiares diretos do profeta, mas, os sunitas consideram heréticas as práticas devocionais manifestadas pelos xiitas aos herdeiros de Maomé.
DESENHO DA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR
Após a última eleição, em 06 de maio de 2018, temos os seguintes grupos políticos (por número de assentos) com representação na Assembleia Nacional:
- Movimento Patriótico Livre (29): cristão.
- Movimento do Futuro (21): muçulmano sunita.
- Amal (17): muçulmano xiita.
- Forças Libanesas (15): cristão.
- Hezbollah (14): muçulmano xiita.
- Partido Socialista Progressista (9): druso.
- Movimento Azm (4): muçulmano sunita.
- Federação Revolucionário Armênia (3): cristão.
- Kataeb (3): cristão.
- Movimento Marada (3): cristão.
- Partido Social Nacionalista Sírio (3): secular.
- Sunitas pró-8 de Março: muçulmano sunita.
- Bloco Karami (2): muçulmano sunita.
- Sociedade Civil (1): secular.
- Independentes (6): indeterminado.
De 15 grupos políticos apresentados, 12 são orientados por motivação religiosa, sendo 5 cristãos e 7 islâmicos.
As próximas eleições parlamentares são previstas para o mês de maio do ano que vem (2022). Abaixo temos a distribuição dos mandatos, hoje.
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| Wikipedia |
GOVERNO ATUAL
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| Libnanews |
No encontro do último 10 de setembro, compôs-se o poder da seguinte maneira: o muçulmano xiita Nabih Berri é o porta-voz do Parlamento, o cristão maronita Michel Aoun é o presidente da República, o muçulmano sunita Najib Mikati é o primeiro-ministro. O vice-primeiro-ministro é o cristão greco-ortodoxo Saadeh al Shami.
Segundo a Agência Fide, no dia 20 de setembro de 2021, após um intenso debate de mais de 7 horas, o Parlamento deu seu voto de confiança aos atuais ministérios, que compõem este novo governo, e que são divididos assim: 11 cristãos (cinco maronitas, dois gregos ortodoxos, dois gregos católicos, um apostólico armênio, uma católica de rito latino), 9 muçulmanos (cinco xiitas e sunitas) e 2 drusos. Sendo que somente uma mulher assumiu um ministério. Trata-se da cristã de rito latino Najla Riachi, que tornou-se a ministra para a reforma da Administração.
Somente as Forças Libanesas, que são nacionalistas cristãos de extrema direita, e alguns deputados independentes votaram contra, somando 15 votos. Foram 85 votos a favor e 17 abstenções.
AUDIÊNCIA PÚBLICA NO BRASIL
Há relações estreitas entre o povo libanês e o brasileiro. Inclusive, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal, expressando essa preocupação com o contexto atual de instabilidade no Líbano, promoverá uma audiência pública remota, no dia 23 de setembro de 2021, a partir das 10h, na ala Alexandre Costa, com transmissão pelos canais públicos e gratuitos. Para se inscrever, clique aqui (Senado).
Referências:
* ZUGUEIB NETO, Jamil; SAHD, Fabio Bacila. Líbano: nação ou agregado de grupos religiosos? Tensões Mundiais, v. 6, n. 11, 2010. Disponível aqui.
** DUTRA JUNIOR, José Ailton. O Líbano e o Nacionalismo Árabe (1952-1967): O Nasserismo como projeto para o Mundo Árabe e o seu impacto no Líbano. 2014. 320 f. Dissertação (Mestrado em História Econômica) - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo. São Paulo, 2014. Disponível aqui.
Prof. Tony Vilhena - Cientista Político





