terça-feira, 18 de outubro de 2022

Cantores do campo gospel lançam música sobre o momento político atual

"Evangelho né questão de esquerda ou direita
É questão de pensar se tô fazendo aquilo que Cristo faria e aceita"



Uma iniciativa corajosa. Uma flor no asfalto. Num ato reverso de Mateus 13:24, planta-se trigo no meio do joio que cresceu rápido e forte no meio da igreja evangélica. Assim, surge a canção Messias de Leonardo Gonçalves, com participação de MN MC, Kleber Lucas, Clovis, Os Arrais, Ao Cubo, Sarah R. e João C. Jr.

A música está disponível no Youtube, onde já alcança grande visibilidade, confirmando que o campo evangélico tem setores que não se entregaram ao discurso armamentista e fundamentalista que tenta se mostrar hegemônico e "dono" das igrejas. Inclusive, na letra demonstra-se a consciência desta tensão:
A gente pode até não ser a maioria
Mas não somos exceção a regra e muito menos uma anomalia
E somos muitos, uma multidão que não se pode contar
E viemos pra ficar! E vejam bem
Essa nova geração aí, tá se organizando hem

Ao trazer uma reflexão sobre a adequação da ação política individual e coletiva aos princípios bíblicos do cristianismo, a canção reanima a fé de alguns grupos de irmãos e irmãs que vêm se afastando das igrejas ao serem hostilizados por não se alinharem ao bolsonarismo e, num ato profético, denuncia as injustiças e a maldade do governante no tratamento dos problemas que o povo sofre.

Por Tony Vilhena
Cientista político

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Uol lança documentário sobre o campo religioso evangélico



A MOV.doc é a produtora de documentários da UOL. Nesta semana, lançou no seu canal no Youtube o documentário Que tipo de crente você é? Evangélicos relatam diferentes visões da religião (14'48"), com direção de João Ramirez.
A iniciativa surge no contexto de protagonismo político que este segmento do cristianismo vem exercendo no cenário eleitoral. No documentário, várias pessoas evangélicas, de diferentes ramos de atuação profissional, apresentam sua perspectiva sobre fé e atuação na sociedade.
Isto confirma a fragmentação e diversidade dos/as seguidores/as desta fé. Realidade que contraria qualquer tentativa de leitura homogeneizante, que não passará de reducionismo e preconceito. 

Mostra de Sociologia em homenagem a Marielle Franco


Estudantes das escolas estaduais Cecília Meireles e João Prudêncio de Brito, em Parauapebas/PA, estão em campo de pesquisa diante de diversos temas levantados pelo o interesse coletivo: racismo; destruição do meio ambiente; participação de população feminina, negra, indígena, quilombola e jovem na política; falta de estrutura escolar; diversidade cultural; intolerância religiosa; transporte público; etc.
Trata-se da preparação para a Mostra Marielle Franco de Sociologia, que visa contribuir para a iniciação científica na Educação Básica, sob coordenação do professor Tony Vilhena.
A Mostra promoverá leituras de textos acadêmicos, conhecimentos sobre as normas da ABNT e uso de metodologia científica nas escolas, contribuindo para a preparação de estudantes para futura jornada acadêmica no Ensino Superior e atuação cidadã no cotidiano, dentro de sua realidade imediata.
De 24 a 26 de outubro, será a culminância com entrega de artigos, palestras, documentários, campanhas em redes sociais, divulgação de podcasts e murais. 

Homenageada
MARIELLE FRANCO, contra todas as adversidades de sua vida pessoal, estudou e se formou em Sociologia (PUC/RJ), seguindo seus estudos em Mestrado (UFF). Seus conhecimentos e sua militância por direitos humanos, antirracista e em prol de pessoas LGBTQIA+ a levaram a conquistar assento da Câmara de Vereadores/as do Rio de Janeiro, onde sua atuação parlamentar chamou atenção por defender a juventude das favelas e denunciar a ação de milícias e policiais corruptos.
Como consequência, foi covardemente assassinada, junto com o motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018, em crime ainda não solucionado pelas autoridades.
Marielle Franco, presente, presente, presente!

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Movimento "Restitui Brasil" mobiliza evangélicos/as por política que defende a vida


O segmento "evangélico" não é campo homogêneo. Há muita gente nas igrejas insatisfeita com os abusos de pastores e "lideranças" que têm transformado o púlpito em palanque.

Para além das campanhas eleitorais que usam o fundamentalismo religioso para intimidar fiéis a votarem em seus candidatos, como a do atual presidente da República, existem movimentos evangélicos que defendem o diálogo, o respeito à diversidade religiosa e os direitos humanos. Assim, conhecemos o Restitui Brasil.

O Restitui Brasil é uma iniciativa evangélica para uma participação política efetiva, em defesa de princípios cristãos que vão contra a correnteza de discursos armamentistas e violentos que já se infiltraram no seio das igrejas.

Há um link para participar do grupo no Telegram. Também há um perfil no Facebook. Seu site é o https://restituibrasil.com.br/. 

O grupo manifesta-se a favor da candidatura de Lula/Alckmin e abre um importante canal para interação de pessoas evangélicas não alinhadas ao bolsonarismo. 

domingo, 10 de abril de 2022

Fórum Social Pan-Amazônico recebe propostas de atividades autogestionadas


O Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) é um evento/processo de alcance global que surge no âmbito do Fórum Social Mundial, para lutar pela vida, a Amazônia e seus povos. É um espaço de articulação dos povos e movimentos sociais para a incidência e a resistência política e cultural frente ao modelo de desenvolvimento neoliberal, neocolonial, extrativista, discriminador, racista e patriarcal. Sua décima edição vai acontecer em Belém/PA, de 28 a 31 de julho 2022.

Estão abertas as inscrições para as atividades autogestionadas do X FOSPA. Até o dia 12 de Maio, movimentos, associações, coletivos poderão se inscrever, para apresentar suas experiências e reflexões numa das cinco Casas de Saberes e Sentidos do X FOSPA.

As atividades autogestionadas, tradição dos eventos altermundialistas, vão garantir que Belém seja o estuário de todas as lutas, todas cores, todas as águas da Pan-Amazônia.

Participe do X FOSPA !

domingo, 20 de março de 2022

Saudações de um irmão metodista confessante ao agora Bispo Possidônio

Foto: CNBB

Nesta semana, ficamos felizes com a notícia de que o Papa Francisco nomeou 
como bispo coadjutor da diocese de Bragança/PA o Monsenhor Raimundo Possidônio Carrera da Mata, chamado carinhosamente por participantes de várias paróquias de Belém e Ananindeua simplesmente de Padre Cid.
Por sua conhecida humildade, sabemos que pouco lhe importa os títulos e cargos. Mas esta nomeação pode ser interpretada como um reconhecimento do seu admirável trabalho pastoral junto ao povo.
Tive a bênção de trabalhar com o Mons. Possidônio na organização da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2010. Pois eu era o coordenador do Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC), entidade responsável regionalmente pela efetivação da CFE, e ele estava respondendo como administrador diocesano da arquidiocese de Belém, no período que se aguardava nomeação de substituto de Dom Orani João Tempesta.
Foram dias de intenso trabalho para fazermos as formações das comunidades sobre a temática daquele ano:  “Economia e Vida”, com o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6, 24)”.

Mons. Possidônio discursa em caminhada de abertura da CFE 2010

O lançamento da Campanha foi na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Belém (PECLB) no dia 17 de fevereiro, uma quarta-feira de cinzas. E a abertura foi num culto ecumênico no dia 21 de fevereiro na Escadinha do Cais do Porto, em Belém. Foi nesse dia que ele me surpreendeu ao perguntar se eu não era pastor na minha igreja. Respondi que não era pastor, mas sim um leigo metodista, e confesso que fiquei um pouco preocupado em perder a atenção que até então tinha tido durante todo aquele processo construtivo. Contudo, ele me cumprimentou e refletiu brevemente sobre a importância de leigos na Igreja. Eu respirei aliviado, pois, suas palavras foram de acolhimento e estímulo. 
Desejamos ao bispo Possidônio uma boa jornada nesta nova missão no Nordeste Paraense.
Que seu trabalho possa gerar outras experiências de diálogo religioso para o bem da sociedade.

Por Tony Vilhena


Maiores informações sobre o Bispo Possidônio


Raimundo Possidônio Carrera da Mata nasceu em 31 de março de 1954, no distrito de Icoaracia, em Belém do Pará. Fez seus estudos fundamentais (primário e ginásio) em sua cidade natal, concluindo-os no seminário São Pio X (seminário menor da arquidiocese de Belém), onde ingressou em 1968. Estudou o clássico no seminário redentorista Santíssimo Redentor (1970-1972).

Cursou Filosofia e Teologia no Instituto de Pastoral Regional (IPAR), no período de 1973 a 1978. Foi ordenado diácono no dia 7 de junho de 1976. Nesse período, exerceu as funções de auxiliar da formação do seminário São Pio X. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 24 de junho de 1978.

Possui especialização em História da Igreja na América Latina, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, (1982), mestrado em História Eclesiástica pela universidade Gregoriana, em Roma (1987). Iniciou o Doutorado, ainda não concluído, em História da Igreja (2000).

Lecionou, em 1982, no Instituto de Pastoral do Regional (IPAR) Norte 2 e depois no seminário maior Nossa Senhora da Conceição da arquidiocese de Belém, com ensino nas áreas de História da Igreja do Brasil, América Latina e mundial,  História da Igreja na Amazônia, História das Religiões e Ecumenismo. Assessora diversos cursos nas áreas da religiosidade, catolicismo popular e catequese. Foi assessor de assembleias diocesanas do Regional Norte II e vice-diretor do IPAR.

De 1994 a 1999, foi diretor do seminário maior Nossa Senhora da Conceição. Também exerceu a função de cerimoniário da arquidiocese de Belém de 1989 a 2009. De abril de 2009 a março de 2010, foi administrador diocesano da arquidiocese de Belém. Recebeu o título oficial de monsenhor em 2010. Desde 2004 é vigário geral da arquidiocese de Belém, onde também exerceu, de 2004 até fevereiro de 2020, a função de coordenador de Pastoral.

Exerceu funções de pároco em diversas paróquias da arquidiocese como: Santo Antônio do Coqueiro (1980/85), paróquia Nossa Senhora de Fátima em Icoaraci (1987/88), primeiro pároco da paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz (1988/92) e primeiro pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição do Outeiro e Ilhas Adjacentes (1994/1999). Foi administrador paroquial de Sant’Ana (2000/2001), voltando a administrar a paróquia da Conceição em Outeiro (2001/2002). Foi pároco da paróquia São Joao Batista e Nossa Senhora das Graças (2002/2011) e em Nossa Senhora de Fátima entre de 2011 até 14 de fevereiro de 2020.

Participou como assessor de diversos encontros inter-regionais da Igreja na Amazônia (Manaus, 1997;  Manaus, 2007;  Santarém, 2012; I Encontro da Igreja na Amazônia Legal, 2012; II Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, 2016;  e do  III Encontro dos Bispos na Amazônia Legal, 2018.

Colaborou com a Comissão Episcopal para a Amazônia (CEA) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBBB). Participou da Comissão organizadora do Mutirão para a Igreja na Amazônia (Brasília, 2005) e da criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam, 2014). Participou da Comissão da CNBB que elaborou as Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil, em 2019. Também participou do processo do Sínodo para a Amazônia (reuniões e assembleias preparatórias, elaboração do Instrumentum Laboris e, durante o Sínodo em Roma, da elaboração do Documento Final).

domingo, 13 de março de 2022

Sri Lanka em luto por morte do elefante Raja, uma referência para o budismo

A religião perpassa por todos os aspectos da vida cotidiana. Quanto mais é repetitiva uma prática religiosa nas relações sociais ou mais está impregnado um pensamento oriundo da fé nas escolhas individuais, menos conseguimos "estranhar" ou ter um olhar crítico sobre esses fazeres. Mas nosso "estranhamento" e nosso olhar crítico são facilmente instigados quando observamos um fato distante, um fazer diferente. E, comumente, esse estranhamento se torna uma condenação daquilo que vimos. Etnocentrismo é nome disso.

Raja escoltado numa procissão (Fonte: Newswire)

Assim, a notícia nesta semana do velório de um elefante com honrarias de funeral de Estado no Sri Lanka foi repassada com espanto pelas bandas daqui do Brasil, chegando a quem pudesse concluir "que absurdo". 

Trata-se do povo budista do país asiático se despedindo do queridíssimo e sagrado elefante Nadungamuwa Vijaya Raja, chamado carinhosamente apenas de Raja, que morreu de causas naturais no último 07 de março, aos 69 anos, aos arredores da cidade de Colombo - capital comercial do Sri Lanka (a capital política é Sri Jayawardenepura).

No The Guardian (em inglês), apuramos que, além de cerimonial de pompa, o paquiderme mereceu ser instituído como Tesouro Nacional pela Presidência da República e será empalhado para a posteridade.

Raja cumpria uma função ritual no Festival Budista Kandy Esala Perahera, uma procissão milenar que acontece anualmente para celebrar a relíquia do dente sagrado de Buda. Raja, com a imponência de seus mais de 3 metros de altura, carregava o caixão que contendo uma reprodução da relíquia. A festa religiosa ocorre em Kandy, a segunda maior cidade do país e que recebe o maior número de turistas devido aos seus templos e museus, destacando-se o Templo do Dente de Buda (foto abaixo), que é tombado pela Unesco.

Templo do Dente de Buda (Fonte: Olhar Budista)

No Sri Lanka, o budismo é religião da maioria (aproximadamente 70%) da população de 21 milhões de pessoas, seguido do Hinduísmo (13%) (dados do Wikipedia). Já na Constituição srilankesa há uma dubiedade no tratamento da temática religiosa, pois, mesmo que afirme haver garantias para a "liberdade de pensamento, crença e religião",  defende que se dê somente "ao budismo o primeiro lugar e, portanto, será dever do Estado proteger e promover o Buda Sasana (ensinamentos)".

A BBC produziu um pequeno vídeo com imagens do elefante Raja (assistir abaixo).





Por Tony Vilhena (articulador do Instituto Ramagem)