sexta-feira, 1 de maio de 2020

Cerimônia inter-religiosa online vai homenagear vítimas da pandemia e profissionais da saúde

Uma cerimônia inter-religiosa online para homenagear as vítimas da pandemia do novo coronavírus reunirá o Rabino Michel Schlesinger, o Cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer, Monja Cohen, Sheikh Mohamad Al Bukai, Mãe Carmen de Oxum e o Pastor Marcos Ebeling.

A iniciativa é da Conib – Confederação Israelita do Brasil (Conib) e acontecerá no domingo, 3 de maio, às 19 h, com transmissão online pelo: https://www.facebook.com/Conib1948/. E no youtube, inscreva-se aqui.

Os religiosos vão homenagear as vítimas da pandemia, rezar pelos infectados, agradecer àqueles que se encontram na linha de frente do combate à epidemia e pedir por mais união e solidariedade.

“O encontro de representantes de várias religiões tem a dimensão da solidariedade. É importante, em momentos difíceis como os que estamos atravessando, manter os canais de diálogo abertos, transmitindo uma mensagem de união”, declarou o presidente da Conib, Fernando Lottenberg.

Para o rabino Michel Schlesinger, “a união de diferentes líderes religiosos neste momento é uma mensagem inequívoca de mobilização em defesa da vida. O vírus não escolhe nacionalidade, cor de pele ou religião. De forma similar, a solução para o desafio que vivemos terá de ser conquistada por meio da colaboração de todos e todas”.

Saiba mais sobre os participantes da cerimônia inter-religiosa:

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer é Arcebispo Metropolitano de São Paulo e Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) desde maio de 2019. Possui Bacharelado em Teologia pelo Studium Theologicum de Curitiba; Mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (1994-1996) e Doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (1988-1991).

Monja Coen Roshi é missionária oficial da tradição Soto Shu do Zen Budismo e primaz fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil. Foi ordenada monja em 1983 e viveu 12 anos no Japão antes de retornar ao Brasil em 1995. Em 2001 fundou a Comunidade Zen Budista, em São Paulo. Autora de diversos livros, orienta vários grupos no Brasil e participa de diversas atividades públicas promovendo o princípio da não violência ativa e da cultura de paz.

Rabino Michel Schlesinger bacharel em Direito pela USP, é rabino da Congregação Israelita Paulista e representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo inter-religioso. Ele foi o primeiro brasileiro que estudou rabinato no Instituto Schechter, onde os professores são formados pela Universidade Hebraica de Jerusalém. É autor de “Diálogos de um Rabino – Reflexões para um mundo de monólogos”.

Pastor Marcos Jair Ebeling é bacharel em Teologia pela Faculdades EST de São Leopoldo-RS. É Mestre em Ciências da Religião pela IEPG da Universidade Metodista de São Paulo. É Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

Sheikh Mohamad Al Bukai nasceu na Siria em 1977, formou-se em Estudos Islâmicos e Árabes e pós-graduou-se em Estudos Islâmicos na Língua Espanhola no Instituto Al Fath em Damasco na Síria, Licenciou-se em Ciências da Religião na Universidade Al Azar no Egito, fez Mestrado em Direito e Política Islâmica na Malásia. Chegou ao Brasil em 2007, foi Fundador e Vice Presidente da Associação Oasis Solidário para Ajuda de Refugiados no Brasil. Atualmente é o Sheikh da Mesquita do Brasil.

Yalorisá Carmen de Oxum Mãe Carmen do Ilê Olà iniciou sua vida religiosa no início dos anos 70, com a Yalorixá Cleide de Osun, da nação Nagô. Em sua iniciação, recebeu o posto de Yákekere, recebendo seus direitos (Oiye) ainda bem jovem. Faz um trabalho social de grande porte e é considerada uma mulher de extrema influência no Brasil inteiro.

Fonte: CONIB

sábado, 25 de abril de 2020

Ministério Público do Pará recomenda emissora de TV se abster da prática de discriminação religiosa


O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da 4ª promotora de Justiça dos Direitos Constitucionais Fundamentais e dos Direitos Humanos, Maria da Penha de Mattos Buchacra de Araújo, expediu Recomendação à Rede Record de Televisão Belém, para que cesse a veiculação dos quadros televisivos que, como no Programa “Balanço Geral”, incorram na prática de discriminação religiosa, com conteúdos discriminatórios e com incitação à violência contra religião.

Em todos os programas exibidos pela Rede Record de Televisão, os editores, apresentadores e seus convidados, devem observar o disposto na Recomendação, quando da elaboração e difusão de seus programas e se abster de praticar intolerância religiosa e de incitar o ódio e o preconceito contra qualquer religião, em especial as religiões de matriz africana.

O documento deve ser divulgado pelos dirigentes da Rede Record TV Belém entre os seus funcionários e colaboradores, para que observem o conteúdo dos programas, antes da veiculação nos meios de comunicação, evitando a propagação de mensagens que atentem contra a igual liberdade de crença de todas as religiões.

Como forma de compensar o dano moral causado a população religiosa ofendida, deve ser aberto espaço na programação da emissora para divulgação da religião, seja nos programas jornalísticos, seja nos programas de entrevistas e variedades, durante o período de 30 dias.

A empresa deverá no prazo máximo de 10 dias informar ao Ministério Público do Estado sobre o acatamento da recomendação e as medidas tomadas para o seu cumprimento.

A medida foi tomada pelo Ministério Público após instauração de notícia de fato em que foram apurados os fatos ocorridos no dia 29 de janeiro de 2020, aproximadamente às 13 horas, em que o Bispo Eduardo Rodrigues, apresentador da Rede Record de Televisão Belém, no programa Balanço Geral, veiculou diálogos ofensivos às religiões de matriz africana, induzindo a discriminação, o preconceito, o ódio e a intolerância religiosa.

“Tal conduta, e outras semelhantes, configuram prática de racismo religioso, caracterizado pela discriminação dirigida às práticas religiosas e às tradições associadas à história e à cultura da população brasileira”, frisa na recomendação a promotora de Justiça Maria da Penha Araújo. 

Fonte: Assessoria de Comunicação do MPPA

terça-feira, 7 de abril de 2020

Anistia Internacional promove palestra online "O que vem depois da crise?"

A primeira sessão “Nova economia, fim da privacidade e polícia médica?” será apresentada pelo cientista político Luiz Eduardo Soares e ocorrerá no dia 09/04, quinta-feira, às 19h.
 

O Brasil e o mundo mudarão fundamentalmente com a experiência de enfrentar uma pandemia global desta proporção. Mas como serão essas mudanças? E como elas afetam os direitos humanos de todos e todas nós?
A Anistia Internacional promoverá uma série de palestras online e interativas envolvendo especialistas em diversos campos para trazer uma importante reflexão neste momento da pandemia da Covid-19 e vislumbrar possíveis arranjos e avanços.
 
Como Participar?
Inscreva-se clicando neste formulário.

Sobre o palestrante:
Luiz Eduardo Soares é mestre em Antropologia, doutor em Ciência Política com pós-doutorado em Filosofia Política. Luiz foi secretário nacional de Segurança Pública e cidadania (2003) e coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado do RJ (1999/março 2000). Desde 2012, ele integra o conselho da Anistia Internacional Brasil.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Oficina de defesa contra o racismo religioso para povo de terreiro e entrevista com Mametu Nangetu


No dia 29 de fevereiro de 2020, a partir das 14h, no Instituto Nangetu - Belém/PA, o Movimento Atitude AFRO PARÁ promoverá a Oficina Estratégia de Defesa Contra o Racismo Religioso, que pretende reunir representações de povos tradicionais de matriz africana para o levantamento de formas de autoproteção contra a intolerância religiosa.

Para saber mais sobre o evento, o Instituto Ramagem conversou com a Mametu Nangetu, responsável pelo Mansubando Kekê Neta / Instituto Nangetu, espaço sagrado de manutenção e preservação das manifestações afrorreligiosas de origem Bantu que acolherá a atividade.

Mametu Nangetu é uma das fundadoras do Comitê Inter-religioso do Pará, que reúne diversas tradições e crenças para a promoção de diálogo e luta por direitos humanos. Também já foi Conselheira Nacional de Diversidade Religiosa do Ministério dos Direitos Humanos. Devido aos seus relevantes trabalhos sociais, Mametu Nangetu ganhou o prêmio Mulher Axé do Brasil, em março de 2019, na Bahia, em homenagem prestada pela Mulheres do Axé do Recôncavo Baiano, durante o I Encontro de Mulheres do Axé do Brasil.

Mametu Nangetu (Foto: Facebook - página pessoal)
Ramagem: Mametu, como foi pensada e proposta esta oficina de defesa contra o racismo religioso?
Mametu Nangetu: A importância dessa oficina é ensinar pra nós o que é racismo, o que é intolerância, o que é desrespeito. Muitas vezes o vizinho é intolerante e desrespeitoso e a gente vai dar parte, mas o delegado acha que é briga de vizinho. Muitos dos nossos não sabem do direito. Dar instrução mesmo. Instruir sobre a Carta Magna, Estatuto da Igualdade Racial e, também, trazer o Ministério Público para que o Ministério Público saiba o que é a intolerância religiosa que atinge as nossas casas. É pedra, é vizinho que briga com os nossos toques de tambor, etc.

Ramagem: O que a senhora considera possível fazer de prático para resistir como povo de terreiro e quais são as maiores dificuldades enfrentadas?
Mametu Nangetu: Nós  ainda temos muitas dificuldades. Por mais que a gente ande, ande, ande. Vá para o Ministério Público... sempre o Estado ganha ou um outro ganha. É difícil. Tá muito difícil.

Ramagem: O que a senhora gostaria de compartilhar como as maiores experiências que a senhora teve nestes anos no Comitê Inter-religioso do Pará e como integrante do Comitê Nacional de Combate à Intolerância Religiosa?
Mametu Nangetu: Toda a minha experiência com o Comitê local, e mesmo o Nacional... Lá no Nacional não se fez nenhuma política, por que não se tinha dinheiro e também interesse. Mas a amizade com as outras religiões e o respeito foi fundamental para se sentir fortalecida. Aqui em Belém, nem se fala, deste fortalecimento, dos parceiros, de amigos. Esse último ato que nós tivemos no dia 21 de janeiro [Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa] e foi dentro da Anglicana foi maravilhoso. Agente está dentro de uma igreja... e eu só não levei o tambor porque os meninos daqui estão envolvidos com o carnaval, mas estas possibilidades, esse respeito, esse carinho, esse ajô, ajô quer dizer axé ou ngunzus.

Ramagem: Como a sociedade em geral pode participar da luta contra a intolerância religiosa?
Mametu Nangetu: A sociedade tem que respeitar nosso querer, nosso direito de ter o Deus que a gente quer. Se a gente é feliz no espiritismo, a gente tem que respeitar; se a gente é feliz no catolicismo, no protestantismo, na Anglicana, Luterana, Presbiteriana, todas as outras, no Santo Daime, na Wicca, nos terreiros... Nós temos por obrigação conhecer e respeitar o outro. Que as intolerâncias também partem do desconhecimento. Que a gente é desrespeitado como ser humano. A gente é desrespeitado dentro do ônibus porque é como se fosse um "câncer" a gente ser de terreiro, se a gente vai vestido com as nossas contas, nossa roupa branca, ninguém quer sentar perto da gente. Então, fundamental é o respeito de um pelo outro.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Dorothy, 15 anos de martírio

Fonte: Catraca Livre
Há exatos quinze anos recebi uma notícia que ainda ecoa na memória. Naquele sábado, 12 de fevereiro de 2005, pela manhã, do outro da linha alguém chorava e dizia "Tony, corre pra cá, mataram a Dorothy".
Atônito, larguei o que fazia e parti para a Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, da qual Irmã Dorothy fazia parte e que acolheu muitas de nossas formações, numa esperança de que fosse um engano ou mentira (naquela época não se falava em fake news). Mas, junto com vários companheiros e várias companheiras de sonho e de luta, confirmou-se a tragédia ocorrida na cidade de Anapu. Os fazendeiros latifundiários cumpriram as ameaças e mataram aquela que durante anos viveu para apoiar famílias que queriam a oportunidade de trabalhar a terra para produzir alimentos, não fazer da terra uma mera mercadoria.
De imediato, representando vários movimentos sociais e igrejas ecumênicas, partimos no primeiro ônibus com destino a Anapu, cidade distante quase 400 km de da capital, Belém. Fui, principalmente, porque era seu amigo. Mas também fui por que era do Núcleo Universitário de Apoio à Reforma Agrária (NUARA) e da Igreja Metodista (que compunha o Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs - CAIC).
Nas paradas que o ônibus fazia, íamos tendo mais informações do assassinato, dos suspeitos e da resposta da polícia (não havia wi fi, celulares com internet ou tecnologias como whatsapp). Foram quilômetros tensos. Na parada feita para uma breve refeição em Novo Repartimento, um senhor chamou alguém do nosso grupo em particular e disse que havia gente monitorando o nosso ônibus, tanto que ele já sabia que chegaríamos ali, logo, era para ficarmos "atentos".
Os latifundiários, madeireiros e demais poderosos da região queriam reduzir ao máximo a repercussão do caso. Então, um grupo indo de Belém não era "bem-vindo", já que aumentaria a visibilidade da cenário de conflitos e desmandos impostos por autointitulados "fazendeiros", que roubaram terras públicas para vender árvores derrubadas e plantar capim. Tanto que, chegando na casa que ficaríamos em Anapu para aguardar o corpo de Dorothy, que passava por necrópsia na cidade de Altamira, tivemos que que correr de lá e buscar abrigo em outro espaço mais seguro e reservado, já que, num tom de deboche e vitória, circulavam mais ameaças dos ditos "fazendeiros" a todas as pessoas que ousassem se pronunciar em solidariedade à Dorothy.
A noite se arrastava, longa, e o povo foi chegando de todos lugares no barracão da igreja. Cantamos incontáveis vezes a canção do Pe. Zezinho "Mataram mais um irmão" (ouvir aqui), adaptando irmão por irmã. E quando o corpo de Dorothy chegou já eram mais de duas mil pessoas reunidas. Nesta altura, a notícia do martírio de Dorothy era dada em todo mundo. O assassinos foram presos imediatamente, mas o mandante, Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como "Taradão", só recentemente foi preso, após muita pressão de movimentos como o Comitê Dorothy.

Passados estes quinze anos é de se pensar o que mudou. Muitos ambientalistas e defensores/as dos direitos humanos ainda tombaram após a Dorothy. Segundo a Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, na tradução em português) mais de 300 pessoas foram mortas por defender os povos da Amazônia.
Ao me ver segurando a faixa na foto acima com o ecologista Luciney Vieira, durante o cortejo de sepultamento de Dorothy, lembrei que havia esperança que a partir daquele momento os governos tomariam vergonha por serem negligentes, que avançaríamos enquanto povo organizado, que a morte de Dorothy não poderia ser em vão. Mas chegamos em 2020, tendo no governado federal uma súcia chefiada por um presidente da república inepto e próximo de milícias de bandidos, que com discursos e atos irresponsáveis contribui para estímulo de pessoas que promovem o fogo na floresta, a invasão de terras indígenas e quilombolas e diminuição de fiscalização ao desmatamento.
Compete-nos, cidadãos e cidadãs da Amazônia, resistir, reinventar nossas estratégias organizativas de base e capacitar novas lideranças. Simplesmente formar maioria eleitoral e compor governos progressistas não podem ser a finalidade dos movimentos nem garantia concreta de conquistas. Por Dorothy, por todas as pessoas assassinadas e perseguidas na luta por reforma agrária e demais direitos. Ao lembrar que Dorothy não foi enterrada, mas, sim, semeada, penso que devemos contar sua história para nossas crianças e jovens. Que esta semente brote, cresça e frutifique. Dorothy vive! Sempre! Sempre! Sempre!

Prof. Tony Vilhena
Cientista Político

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Após um ano paralisada, COPIR deve retomar seus projetos

Hoje, dia 07 de fevereiro e 2020, é dia de bolo na Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC), pois faz aniversário de um ano que a Coordenadoria de Educação Para a Promoção da Igualdade Racial (COPIR) ficou à deriva, sem coordenação nomeada e amarrada na teia burocrática e centralizadora de ex-secretária Adjunta de Ensino, senhora Ana Paula Fernandes Renato. Logo, o bolo tem o sabor amargo do racismo institucional.
Mas, ironicamente, a referida professora não ficou para assoprar a velinha do bolo, pois foi exonerada na última terça-feira, dia 04 de fevereiro. Sai pelas portas dos fundos da política de educação para a igualdade racial, sem articular os projetos de implementação da lei 10.639, que instituiu o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira na Educação Básica.
Vale lembrar que os povos indígenas só foram ouvidos pela gestão estadual de educação depois de ocuparem a sede da SEDUC no dia 19 de junho de 2019 (ver matéria aqui). Depois do corre-corre causado pela justa ocupação em busca de seus direitos, a então secretária de Estado de Educação Leila Freire, que também foi exonerada dia 04, parece ter tomado providências para atendê-los dignamente.
Em 2019, a COPIR foi silenciada e seus projetos foram interrompidos abruptamente. Entre os diversos projetos que deveriam ser executados em 2019, cito alguns abaixo, que, inclusive, constavam no Plano de Trabalho Anual (PTA) da SEDUC:
- “Educação e Etnicidade”, que implementa a Educação Escolar Quilombola;
- “Minha Escola Contra o Racismo”, que é um convênio já aprovado com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) que prevê capacitação e formação de professores/as da Rede Estadual em tecnologias da educação para a igualdade racial nos campi dos municípios onde tenha IFPA, acesso nas escolas estaduais para estagiários/as dos cursos de licenciatura e intercâmbio entre estudantes do IFPA e das escolas estaduais;
- “20 de Novembro”, que mobiliza as escolas para o Dia da Consciência Negra com cursos, oficinas e atividades culturais;
- “Semana Integrada de Combate ao Racismo”, que acontece em torno do dia 13 de Maio (Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo);
- “Afro-Pará”, que propõe formação continuada de professores/as em todas as Regiões de Integração, numa dinâmica de módulos de teoria e prática, totalizando ceretificação de 120 horas.
Ressalta-se que também foi paralisada a ação em parceria com a Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil seção Pará (OAB/PA), que levava às escolas rodas de conversa sobre combate à intolerância religiosa; e a parceria com o Serviço de Educação do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que promovia para estudantes a “Trilha Afro-Amazônica” no Parque Zoobotânico.
O descaso foi tamanho. Tanto que no encerramento do Encontro Estadual de Professores do Pará, realizado pelo Grupo de Estudos Afro- Amazônicos (GEAM) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), ocorrido de 13 a 15 de setembro de 2019 e que articulou uma Rede de Professores/as que trabalham a temática das relações Étnico-Raciais nos municípios paraenses, foi manifestado de modo massivo a insatisfação com a postura da gestão superior da SEDUC que desprezava a pauta da diversidade e fugia das reuniões marcadas pelas entidades do movimento negro.
Esperamos que as mudanças recentes tragam novidades para a relação entre a gestão pública e movimento social. Ainda temos um ano letivo inteiro pela frente para recuperar o que foi perdido em 2019. Espera-se que de início nomeie-se uma pessoa para coordenar a COPIR e, em seguida, retome-se os projetos paralisados. A COPIR é uma conquista histórica do movimento negro, uma ação imprescindível na política estadual de educação pública e um direito que não pode ser negado ao público estudantil atendido pela SEDUC.

Prof. Msc. Tony Vilhena
Cientista Político
 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Convite para Ato de 15 anos do Martírio de Irmã Dorothy, em Belém/PA

Prezados/as companheiros e companheiras, 

A Amazônia mais do que nunca está sob ataque e seus defensores sob ameaça. No dia 12 de fevereiro de 2005, a Irmã de Notre Dame Dorothy Stang teve sua sentença de morte executa, por grileiros de terras públicas, por defender a floresta e os seus povos . Quinze (15) anos depois de seu martírio, Anapú, município onde atuou, desponta com 19 assassinatos de lideranças e defensores da floresta, nos últimos cinco anos (20015-2020). O Governo de ultradireita no poder incentiva as queimadas, o ataque aos povos indígenas, a destruição da floresta e por fim, a sua entrega e subordinação total ao capital internacional. 

Mas a exemplo de Dorothy, somos sementes teimosas e ousamos denunciar essa política de destruição da Amazônia e de seu povo. Por isso, ao completar 15 anos do martírio de Dorothy, faremos um ato público “em defesa da Amazônia e memória de Irmã Dorothy Stang” e contamos com a presença desta organização/entidade/movimento/igreja para fortalecer nossa luta. 

Serviço:
Ato público “Em defesa da Amazônia e memória do martírio e Dorothy Stang”
Local: Praça do Operário- São Braz
Data: 12 de fevereiro de 2020, as 18 horas. 
Contato: Alcidema Coelho (98332-2501) Robert Rodrigues (98369-9320) Francisco Batista (98260-1045)

Por soberania popular na Amazônia. Dorothy presente, Dorothy Semente!

Entidades responsáveis:
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - Movimento dos Atingidos por Bareagens (MAB) - Comissão Pastoral da Terra (CPT) - Irmãs de Notre Dame ( IND) - Centro Alternativo de Cultura (CAC) - Conferência dos Religiosos do Brasil ( CRB) - FRATERNIDADE EMAUS - GEPTE/UFPA - GAB. DO VER. FERNANDO CARNEIRO (PSOL), Chalé da Paz- Instituto de Pastoral Regional/IPAR - Salesianos - Movimento pela Saúde dos Povos (MSP) - Tela Firme.