quinta-feira, 22 de junho de 2023
Instituto Fogo Cruzado e FEED conversam em Belém sobre propostas de enfrentamento à violência urbana
terça-feira, 20 de junho de 2023
Preocupações socioambientais com a extração de petróleo na Costa Amazônica*
Você conhece o ambicioso projeto da Petrobras para exploração de petróleo na Costa Amazônica? Movimentos sociais, organizações ambientais e institutos de pesquisa científica têm buscado dar visibilidade para os riscos deste empreendimento que pode afetar danosamente o meio ambiente e as comunidades que vivem nessa extensa região. O governo Lula está num dilema diante dos interesses da Petrobras e a resistência do Ibama.
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| Mapa da posição do bloco 59 da Petrobras. Infográfico: Rodolfo Almeida/SUMAÚMA |
Petróleo na Amazônia
Não é de hoje que se busca petróleo na Amazônia. Na década de 1950, a Petrobras investiu pesado em equipamentos e profissionais estrangeiros. Inclusive chegou a encontrar em um poço em Nova Olinda/AM. Fato muito comemorado na época, mas que gerou frustração devido à baixa quantidade do produto para prospecção, o que o tornava comercialmente inviável.
José Mauro de Morais, na obra “Petróleo em águas profundas…” (2013), rememora o fato do jornal The New York Times dar a notícia da descoberta de petróleo na Amazônia como uma das maiores do mundo, perdendo apenas para o Oriente Médio. Ledo engano.
O que as empresas de petróleo desejam na Costa Amazônica?
As companhias Total (francesa) e BP
(britânica) iniciaram as tratativas para a obtenção de licença para perfuração
de poço em plena bacia de Foz (onde o rio deságua) do Amazonas. O Ibama negou o
pedido da Total, em 2018. Já o pedido da BP, após diversos descumprimentos, foi
transferido para sua sócia, a Petrobras, em 2020.
Conforme o relatório da consultoria CBIE,
com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do
Brasil - ANP, estima-se a extração de 1,1 milhão de barris por dia na região.
Na perspectiva do mercado, a exploração
mineral nesta faixa próxima à Linha do Equador, descentralizaria a geração de riquezas. “Além de aumentar a
produção brasileira de petróleo e gás, a exploração da margem equatorial
abriria uma nova importante fronteira de produção no país, hoje extremamente
concentrada na região sudeste, trazendo maior oportunidade de crescimento e
industrialização para a região norte e nordeste” (CBIE, 2023, p. 53).
Ameaça de vazamentos acidentais de óleo
Quando o Ibama negou a licença ambiental
para a Total, em dezembro de 2018, os movimentos sociais presentes nesta região
do país junto com organizações ambientais comemoram. Pois, além da pressão
social exercida sob órgão ambiental, havia uma grande
mobilização internacional
que constrangeu a empresa em não recorrer da decisão.
O Programa de
Estudos Costeiros do Museu Paraense Emílio Goeldi - PEC/MPEG - informa que a costa norte brasileira é
composta por uma série de bacias hidrográficas com características peculiares,
que compõem o grande estuário (transição entre rio e mar) amazônico. Nela estão
os maiores e mais preservados manguezais do mundo.
Em junho de 2021, 14 entidades
protocolaram um pedido no Ministério Público Federal para que este se manifestasse junto ao
Ibama pelo indeferimento das licenças para exploração de petrolífera na Costa Amazônica, diante dos potenciais
riscos de derramamento de óleo.
Argumentam que a Foz do Rio Amazonas é
singular no planeta. Representa o maior aporte de água continental nos oceanos
e a maior descarga de sedimentos em suspensão, despejando anualmente 17% do
total mundial. É o estuário amazônico, ambiente rico em manguezais, ambientes recifais, economias e culturas locais.
Soma-se o fato da confirmação recente de
presença de corais que se estendem do
Maranhão à Guiana Francesa, o que demanda aprofundamento de pesquisas.
Estudo publicado na revista científica “Frontiers in Marine Science” aponta que
nesses corais há complexidade e diversidade de habitats, com necessidade de
adoção de “medidas preventivas de conservação para proteger a região diante das
ameaças crescentes das práticas extrativas de petróleo e gás” (FRANCINI-FILHO,
2018).
Falta
de consulta às populações atingidas
Outra questão sensível é sobre os impactos
causados às populações locais. Embora trata-se da região de menor densidade
populacional do Brasil, com áreas de ocupação dispersas, há considerável
diversidade de comunidades tradicionais,
caboclos, ribeirinhos, quilombolas, pescadores, agricultores e indígenas.
O “Atlas de sensibilidade ambiental ao óleo
da Bacia Marítima da Foz do Amazonas” destaca que a “diversidade de atividades
deve ser considerada no planejamento de ações de contingência e resposta
emergencial a acidentes/danos ambientais. As principais atividades com
potencial risco de conflito com as atividades de exploração são a pesca –
artesanal e industrial - o turismo e as atividades industriais” (SANTOS;
MENDES; SILVEIRA, 2016, p. 28).
À vista disso, em setembro de 2022, as
unidades do Ministério Público Federal - MPF - no Pará e no Amapá acionaram o
Ibama e à Petrobras para as providências de suspensão de qualquer atividade de
perfuração marítima programada para a bacia da foz do Amazonas.
O MPF argumenta que a atividade vai impactar
quatro comunidades indígenas no Amapá e comunidades quilombolas e ribeirinhas
no Pará, mas não foi assegurado “o direito dos povos indígenas e comunidades
tradicionais de serem consultados, de forma PRÉVIA, LIVRE e INFORMADA” (MPF,
2022), antes de serem tomadas medidas legislativas ou administrativas
suscetíveis de afetá-los diretamente.
Dilema
para o governo Lula
Após os anos de governo Bolsonaro, que
reduziram as estratégias governamentais em defesa do meio ambiente e das
populações amazônicas, Lula se elegeu com agenda conservacionista recomendada
por setores das ciências e de organizações ambientalistas. Agora seu governo vê-se
num impasse entre os interesses da Petrobras, que inclusive já contava com a
exploração das reservas de petróleo e gás no seu planejamento estratégico, e do
dever do Ibama, que no final de abril de 2023 emitiu parecer técnico negando o
pedido.
Parece que são dois governos distintos. Por um lado, Petrobrás e Ministério de Minas e Energia reivindicam a autorização. Do outro lado, Ibama e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirmam que a negação está ampara por critério técnicos.
Alepa promove debate sobre a questão
A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) realizou, sexta-feira passada (16/06), uma audiência pública para supostamente fomentar a discussão sobre a exploração de petróleo e gás na região pretendida pela Petrobrás.
Mas o que se viu foi um desfile de tecnocratas das universidades, da Petrobrás, da Fiepa, de entidades de classe e políticos defendendo a exploração de petróleo. Enquanto isso, com diminuto poder de fala e representação, organizações ambientalistas e comunidades tradicionais pediam para serem ouvidas.
A Costa Amazônica é centro de disputa. Mas, as decisões ocorrem distantes das populações afetadas.
Fontes
CBIE
Advisory. Relatório Especial Edição 008:
perspectivas para o setor energético em 2023 (Outlook 2023). Disponível em:
<https://drive.google.com/file/d/1VchotK6WqxkIvRAe3-pPK6tp05sAIFva/view>.
Acesso em: 08 maio de 2023.
FRANCINI-FILHO,
R.B. et al. Perspectives on the Great Amazon Reef: Extension, Biodiversity and
Threats. Frontiers in Marine Science,
v. 5, 2018. Disponível em: <http://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmars.2018.00142/full>.
Acesso em: 08 maio de 2023.
MORAIS, José
Mauro de. Petróleo em águas profundas:
uma história tecnológica da Petrobras na exploração e produção offshore.
Brasília: Ipea: Petrobras, 2013.
MPF. Recomendação Conjunta Nº 17/2022.
Disponível em: <https://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/documentos/2022/recomendacao-conjunta-mpf-ap-pa-ibama-petrobras-suspensao-perfuracao-foz-amazonas.pdf>.
Acesso em: 08 maio de 2023.
SANTOS,
Valdenira F. dos; MENDES, Amilcar C; SILVEIRA, Odete F. M. da. Atlas de sensibilidade ambiental ao óleo da
Bacia Marítima da Foz do Amazonas. Macapá: IEPA, 2016.
quarta-feira, 15 de março de 2023
Ex-deputado Wladimir Costa é condenado por racismo religioso
Neste 14 de março de 2023, o ex-deputado federal do Pará Wladimir Costa foi condenado pelo Tribunal da Justiça do Pará (TJPA) pelos crimes previsto no artigo 20, § 2º, da lei nº 7.716/89, ou seja, "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".
Sua ação criminosa ocorreu no dia 02 de novembro de 2019, na Avenida Centenário, em Belém/PA, quando parou de carro para recolher do canteiro uma cesta de frutas, sabendo tratar-se de uma oferenda de religião de matriz africana. As oferendas ou despachos são ações cerimoniais, ofertas das pessoas às entidades/divindades dos cultos de tradições afrorreligiosas.
Após violar a oferenda, Wladimir Costa a levou consigo no carro, com a ajuda do amigo Murilo Ferreira, que dirigia, iniciando a gravação de vídeos ofensivos aos povos de santo ou de terreiro, com a associação de suas práticas ao mal. Interessante é que no processo, Ferreira testemunha que não viu nenhum problema ou desrespeito no comportamento criminoso do ex-deputado, apenas observou que por ser "evangélico" não achava adequado consumir as frutas ou permitir que a cesta entrasse no seu carro.
A pena estipulada pela juíza Sandra Maria Ferreira Castelo Branco, da 10ª Vara Criminal de Belém - TJPA, é de prestação de serviços à comunidade e pagamento de 10 salários mínimos à entidade social escolhida pelo juízo da execução.
Vale o registro da valorosa contribuição para esta vitória na justiça de Mametu Nangetu e do Babalorixá Edson Catendê, que com os seus testemunhos em juízo demonstraram com fatos e argumentos o quanto a atitude delinquente do réu foi lesiva aos povos tradicionais de matriz africana.
Para que quiser ver a íntegra da sentença, clique no link de consulta ao processo do TJPA: https://consultas.tjpa.jus.br/consultaunificada/consulta/principal#
O nº do processo é 0810265-90.2021.8.14.0401
sexta-feira, 10 de março de 2023
Convite: Roda de conversa sobre Racismo Religioso no Brasil
O evento contará com a exibição do curta-metragem "Os caminhos de Xangô – a resistência das religiões afro-brasileiras" e com uma roda de conversa com a professora Ana Paula Miranda (UFF) e com o advogado e babalorixá Edson Catendê.
Inscrições: https://www.even3.com.br/racismoreligioso/
Data: 14/03/2023
Hora: 17h
Local: Auditório Hailton Correa - ICJ/UFPA - Campus do Guamá - Belém/PA.
domingo, 19 de fevereiro de 2023
Professora Giovana Ferreira-Vilhena apresenta pesquisa sobre religião e gênero
Mametu Nangetu participa do Encontro da Nova Consciência 2023
https://www.youtube.com/@EncontrodaNovaConsciencia8/featured
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
Feliz ano velho: SEDUC tenta iniciar o ano letivo 2023 sem estrutura e sem professores/as.
Pra ser escola precisa de gente, comunidade, relações humanas que se dão no encontro, nas diferenças e até mesmo divergências. E isso não se dá no tempo-cronômetro nem com pessoas-números, mas sim no tempo-história, onde figurantes se tornam protagonistas da própria cidadania, e com pessoas-humanas, ou seja, sujeitos, gente com aspirações, sentimento e sentido.
Neste dia 13 de fevereiro de 2023, quando se inicia ou deveria se iniciar o ano letivo da rede estadual do Pará, a comunidade da EEEM. Cecília Meireles, tendo a frente sua diretora profa. Rozete de Moraes, ministra sua aula inaugural coletivamente com maestria, acolhendo os/as estudantes e abrindo um canal de diálogo sobre o estado da educação pública, com ênfase no caos que ocorre no município de Parauapebas. Logo, erra quem diz que não está tendo aula ou que as aulas foram suspensas. Pois, está ocorrendo aula sim, uma super aula pública de cidadania, de luta por direitos, de Política (isso mesmo, com o P maiúsculo).
É um absurdo que o governo do Estado tenha comprado um prédio imenso e criado uma nova escola, mas, por incompetência da gestão superior da SEDUC, ainda haja confusão e falta de vagas para o Ensino Médio na cidade. São dezenas de denúncias no Ministério Público do Estado do Pará, mas, lamentavelmente, sem uma resposta satisfatória da SEDUC.
Outro problema é a falta de professores/as. São vários documentos enviados para a Sede clamando para que se resolva o problema de escolas sem aulas. Por exemplo, Filosofia. Em todas as escolas de Parauapebas há falta de professor/a de Filosofia em pelo menos um turno porque o setor que gerencia o PSS (CPSP - Coordenadoria de Promoção e Seleção de Pessoal), por mero capricho burocrático, não habilitou as pessoas que têm direito, que foram aprovadas no seletivo e que apresentaram a documentação corretamente.
Ainda bem que superamos a educação tradicional, senão, nesta sala de aula da vida real que a escola Cecília Meireles promove com sua resistência, veríamos envergonhados e de castigo no canto da sala usando o chapéu com orelhas de burro o governo do Estado e a gestão superior da SEDUC (a passada e a atual).
Abaixo, o vídeo da diretora Rozete de Moraes para o governador Helder Barbalho.
Prof. Tony Vilhena - Cientista Político


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