sexta-feira, 19 de julho de 2019

Babalaô Ivanir dos Santos recebe prêmio internacional por luta contra a intolerância religiosa

Ivanir dos Santos - foto de Brunno Rodrigues

Professor e doutor Babalaô Ivanir dos Santos recebe prêmio em Washington

O prêmio International Religious Freedom (IRF) será entregue pelo State Department’s Office of International Religious Freedom. 


Em sua primeira edição, o prêmio destacou quatro pessoas, selecionadas em todo o mundo. A principal missão do referido departamento é “monitorar as perseguições religiosas e a discriminação em todo o mundo,  com o intuito de implementar políticas nas respectivas regiões ou países e desenvolver programas para promover a liberdade religiosa”, além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pela causa, como é o caso de Ivanir dos Santos, que é interlocutor da CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. 
Prof e Dr. pela UFRJ, Ivanir traz um legado de mais de 40 anos de muitas batalhas. Figura ímpar no cenário nacional, vem há anos no combate ao racismo e principalmente a luta contra à intolerância religiosa. Mas além de reivindicar, vem buscando diálogos com grupos de estudos e pesquisas em âmbitos internacionais, o professor Ivanir vem construindo e fomentando ações para o fortalecimento dos laços entre os intelectuais afro-brasileiros, afro-americanos e africanos. Além de destacar ativistas que lutam incansavelmente pelas liberdades, contra o racismo e em prol dos direitos humanos. 
Foi interno da Funabem, seguiu o caminho inverso das estatísticas, ao se tornar uma referência no Rio. De sacerdote (há 24 ano) à academia (desde 2015 – UFRJ), conta com um séquito de religiosos (diversos seguimentos), alunos e pessoas influentes. Sua tese, intitulada  “Marchar não é Caminhar: Interfaces Políticas e Sociais das Religiões de Matrizes Africanas no Rio de Janeiro contra os processos de Intolerância Religiosa (1950-2008)”, busca fazer um análise histórica do desenvolvimento e crescimento da intolerância religiosa no Brasil, que é fomentada desde o período colonial até os dias atuais,  evidenciando e pontuando processos de resistências das religiões de matrizes africanas frente à intolerância religiosa e demonização de suas culturas e tradições, mostrando também e identificando os diversos momentos e que o Estado age de forma repressiva.
A pesquisa, que também apresenta um balanço social e político dessas ações repressoras, também faz um alerta sobre os riscos que corremos quando o Estado, que constitucionalmente é declarado laico, ajuda a promover ações anti-democráticas voltadas exclusivamente para um único grupo religioso em detrimento de outros. A pesquisa, é fruto dos das ações e pesquisas realizadas no combate à intolerância religiosa. Ações essas, que vem desenvolvendo à frente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) – atuando como interlocutor, bem como na realização da Caminha em Defesa da Liberdade Religiosa, em 2017, onde se prepara para realizar a 12ª edição, que tem com meta, levar mais de 100 mil pessoas à Copacabana, juntas em prol do diálogo inter-religioso e da tolerância religiosa no país. 
Citando algumas prêmios nos últimos anos. Com suas ações, criou jurisprudência sobre a Lei nº. 7.716, que transformou o racismo em crime inafiançável e imprescritível. Por sua luta contra o racismo, a xenofobia e a intolerância, recebeu, em 1997, da Federação Israelita do Rio de Janeiro, o Prêmio Adolpho Bloch. Em dezembro de 1999, Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi agraciado com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, conferido por uma comissão da sociedade civil e membros do governo, entregue a Ivanir dos Santos pelo presidente da República. Recebeu Prêmio Direitos Humanos 2014 (em sua 20ª edição). Com mais esse prêmio, essa é a prova que ele tem voz e agora em nível internacional.

Encontro de Pesquisa em Comunicação na Amazônia - Epca 2019


Encontro de Pesquisa em Comunicação na Amazônia - Epca 2019
20, 21 e 22 de novembro de 2019
UFPA - Belém/PA
 
“Comunicação e resistências: ameaças à democracia, lutas por reconhecimento e políticas do cotidiano”, quer evidenciar a necessidade de um posicionamento político da ciência ao atual cenário, abrindo espaço para críticas e reflexões em torno do caráter central da comunicação nas relações sociais e sua relevância nos processos de emancipação, nas relações de poder, de dominação e nas práticas de resistência contemporâneas.
Também quer demarcar a peculiaridade da produção de conhecimento na Amazônia, trazendo à tona agentes e grupos da região que em suas diversas formas de atuação na sociedade se propõem a construir alternativas para enfrentar e superar o atual projeto de poder.

Saiba mais no sítio do evento: https://epcamazonia.com.br/

sábado, 22 de junho de 2019

Igrejas e comunidades LGBTI+ se unem contra a intolerância

Teve início nesta quarta-feira (20) o 1º Congresso Igrejas e Comunidades LGBTI+. O objetivo é discutir a diversidade sexual e de gêneros a partir de uma perspectiva ecumênica, formas de estreitar os laços de espaços religiosos para minimizar o preconceito e intolerância . Os encontros seguem até o dia 23 de junho.


Fonte: Rede TVT

terça-feira, 18 de junho de 2019

Fórum Entrevista: Igrejas tornaram-se lavanderias para o dinheiro das milícias, diz Jacqueline Muniz

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), antropóloga e cientista política diz que o desmanche das UPPs possibilitaram a "neomiliciazão do Rio de Janeiro", que voltaram a financiar carreiras políticas


https://youtu.be/xf6HArcyRp4


Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), antropóloga e cientista política, Jacqueline Muniz disse em entrevista a Renato Rovai, editor da Fórum, que muitas agremiações religiosas são montadas com o intuito de se tornarem lavanderias do dinheiro do crime angariado pelas milícias no Rio de Janeiro. 
“Lavanderias do dinheiro do crime passa por agremiações religiosas. Onde é que você vai lavar o dinheiro do crime, você vai usar as agremiações religiosas porque cada uma delas tem um CNPJ. Então você pode criar uma casa de oração ali na esquina, lavar o dinheiro do crime e com isso também produzir intolerância religiosa, destruição de terreiros nas comunidades populares”, disse a especialista em segurança pública, que contou, em entrevista à Fórum a história das milícias, ou o que ela chama de comandos armados.
Segundo ela, a formação desse grupos armados para controle territorial é histórica e o desmanche das UPPs possibilitaram a “neomiliciazão do Rio de Janeiro”.
“As UPPs significavam prejuízo para as economias criminosas e boa parte das carreiras políticas, tanto do político local ao Senado, que financiavam a carreira com esse dinheiro”, disse ela, sobre o movimento de instalação das milícias nas comunidades periféricas do Rio, que começou nos anos 80.
Jacqueline Muniz ressalta que a formação de grupos armados para controles territoriais é muito comum “quando não se tem controle sobre os meios de força (forças armadas e polícias)”.
“Sempre que você tem governos débeis, incapacidade de governar e controlar a polícia, o fenômeno da milícia emerge. Quem dá o alvará de funcionamento para os domínios territoriais armados é o Estado, são setores do governo. É como se o Estado terceirizasse suas funções”, diz ela.

Assista à entrevista na íntegra em
https://youtu.be/xf6HArcyRp4
 

sábado, 25 de maio de 2019

Casa de candomblé é derrubada pelo governo do DF; 'Intolerância religiosa', diz OAB

Construção é filial da Casa do Caboclo, entidade fundada em 1975. Governo afirma que área pública sofria 'parcelamento irregular'.

Por Marília Marques e Letícia de Oliveira, G1 DF e TV Globo

Membros da Casa do Caboclo, no Lago Norte, cantam e dançam ao redor de construção derrubada pelo DF Legal — Foto: TV Globo/Reprodução

Após a derrubada da construção de uma filial do terreiro de candomblé Caboclo Boiadeiro – o centro mais antigo do Distrito Federal, fundado em 1975 – a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) decidiu recorrer do caso por entender que a destruição do imóvel pelo governo foi um "ato de intolerância religiosa".

A ação que demoliu a casa de matriz africana no Lago Norte foi organizada pelo DF Legal – antiga Agência de Fiscalização (Agefis) – na segunda-feira (20), mesma semana em que o novo órgão começou a funcionar.

Segundo a presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB-DF, Patrícia Zapponi, "louças, imagens e itens sagrados foram destruídos".

"Nosso sagrado estava ali. Não podemos tirar nada, arrebentaram a cerca e, sumariamente, derrubaram tudo", afirma Patrícia.

Os membros da religião disseram ainda que a direção do centro espírita não foi notificada. Em nota, o DF Legal informa que a obra demolida era "recente e irregular". A secretaria disse ainda que o espaço estava "sem identificação e tratava-se de parcelamento irregular de área pública".

"O imóvel não possuía características de templo religioso e, sim, de moradia", diz o comunicado enviado à reportagem. Além disso, o GDF afirma que remoções em locais públicos "não necessitam de prévia notificação".

O local atendia cerca de 100 pessoas por sessão, mas, no momento da derrubada, por volta de 7h, não havia frequentadores no local.


Denúncia

Em março, o governo recebeu uma denúncia de desmatamento em área de preservação ambiental no local onde a filial do terreiro estava construída. Na época, a Agência de Desenvolvimento (Terracap) identificou a construção e pediu uma atitude do DF legal.

Os coordenadores do terreiro de candomblé entraram com um pedido de regularização da área no ano passado, junto à Secretaria de Meio Ambiente e à Agricultura do DF, porque o lote fica próximo ao Córrego do Urubu.

"Foi um ato de intolerância religiosa. Têm várias construções à nossa volta, nenhuma foi derrubada, só a nossa."

Mesmo com os documento em mãos, os fiscais "não pediram para ver", afirma o líder Américo Neves Filho, conhecido como Pai Lilico. "Arrebentaram a cerca e começaram a derrubar a casa do lado de fora, sem procurar saber o que era".

10 anos sem regularização
De acordo com o GDF, as áreas ocupadas no DF até 31 de dezembro de 2006 são passíveis de regularização. Nos últimos 10 anos, no entanto, nenhuma área de terreiro foi regularizada em Brasília.

Sobre o assunto, o governo aponta que "é compromisso da atual gestão acelerar o processo de regularização das áreas de terreiro até o final do ano".

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Saudades de Arthur. Lutemos como ele!

Há um ano atrás, 15 de maio de 2018, por volta das 19h, participávamos de um carnaval diferente. A praça de folia era a portaria de uma capela mortuária na Av. Conselheiro Furtado, em Belém/PA. Sim, estávamos lá atendendo ao convite do entusiasta professor de arte e ativista político-cultural Arthur Leandro, também conhecido pelo seu nome afro-religioso de Tata Kinamboji, que em mais uma de suas surpresas partira pela manhã "de volta ao seio sagrado de Nzambi" (aprendi dizer isso naquele dia).
Entre batuques, palmas e canções, aquele antivelório expressava muito de quem foi e quem é, pois está conosco sempre, Arthur Leandro. Iconoclasta, irreverente e impactante. Um convite para o estranhamento daquilo tudo que parece habitual ou adequado nos padrões da sociedade branca-cristã-heteronormativa.
Ao lembrar que, anos antes, uma de suas intervenções artísticas foi publicar a notícia de sua morte no obituário de um grande jornal da cidade, denunciando, assim, que a imprensa não tem compromisso com a verdade e sim com o quanto recebe, revelo que ficou em mim uma expectativa de que aquilo tudo era mais um de seus atos poéticos e políticos. Imaginei ele postando depois freneticamente nas redes sociais algo assim "como podemos nos reunir em um velório, mesmo diante de nossa diversidade e agendas tão apertadas, e não conseguimos nos juntar pra ter mais força pra combater nossos inimigos comuns: os racistas, os fascistas e uma cambada de filha da puta que nos perseguem todos os dias...".
Passou um ano e sua audácia nos faz falta. Mas estamos aqui, Tata. São tempos absurdos, mas a luta segue. Seguem também conosco seus ensinamentos e destemor. 
Queria postar aqui uma foto tirada nas ladeiras do Pelourinho, em Salvador, durante o Fórum Social Mundial do ano passado, quando Giovana, eu e o Arthur nos encontramos. Ele ia zimbado na cadeira de rodas elétricas por aquelas ladeiras de pedras. Mas a foto perdeu-se nas "nuvens" deste céu louco digital. Mas, mantenho a homenagem com esta foto mais formal de um grande dia. O dia que fomos convidados para palestrarmos na criação da Comissão de Liberdade Religiosa da Assembleia Legislativa do Pará.


Por Tony Vilhena
Coordenador do Instituto Ramagem

terça-feira, 23 de abril de 2019

Convite: I Simpósio Internacional Religiosidades Panamazônicas

O evento será realizado em Belém/PA, na Universidade Federal do Pará - Campus do Guamá, de 15 a 17 de maio de 2019.

O presente Simpósio, ao considerar como um processo histórico continuum as singulares experiências religiosas da Panamazônia, tem como finalidade os seguintes pontos:
- estimular reflexões e debates sobre as práticas religiosas dos sujeitos amazônicos entre profissionais, pesquisadores e estudantes; 
- compartilhamento e discussão ampla dos resultados de pesquisas finalizadas ou em andamento; proporcionar intercâmbio e estreitamento dos laços entre pesquisadores, profissionais e comunidade acadêmica a partir da afinidade e proximidade na produção do conhecimento científico; 
- possibilitar visibilidade às pesquisas e ações interdisciplinares implementadas pelos pesquisadores e instituições envolvidas; 
- produção de e-book como resultado das conferências, mesas e cinco representantes dos GTs; constituir uma REDE de pesquisadores em torno do tema Religiosidades na Panamazônia.

Para maiores informações, acesse o sítio eletrônico:

Para se inscrever, clique aqui.

Prazos:
- Ouvintes podem se inscrever até o dia 14 de maio de 2019.
- A data limite para submissão de propostas de comunicação nos Grupos Temáticos é de 05 de maio de 2019. A data prevista para divulgação das comunicações escolhidas é de 13 de maio de 2019.